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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Fw: [Caminho Pelas Estrelas] Poema: VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera, Autor: O Imortal Fernando Pessoa / por Odenir Ferro

  • AMO A LITERATURA DO IMORTAL FERNANDO PESSOA: Eu, Odenir, adoro este precioso e inteligentíssimo Poema deste Grande Imortal! Mas eu tenho humildade para dizer-lhes: para captar, sentir, entender dramatizar e viver o poema num sentido interior, dentro do meu universo pessoal, e depois transpondo-o para o Universo Global, eu precisei ler, praticamente letra por letra, métrica por métrica, até entender esta riqueza: Na época, eu li e reli 28 vezes este Magnífico Poema: Num Meio-Dia de Fim de Primavera, Parabéns Fernando Pessoa, Deus e os bons Anjos, o tenha sempre nas Glórias dos Céus! Amém! Odenir Ferro, Escritor, Poeta, Embaixador Universal da Paz! Blogger: http://www.caminhopelasestrelas.com

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De: Blogger <no-reply@blogger.com>
Para: "odenir.ferro@yahoo.com.br" <odenir.ferro@yahoo.com.br>
Enviado: ‎domingo‎, ‎24‎ de ‎abril‎ de ‎2016‎ ‎17‎:‎03‎:‎14‎ ‎-03
Assunto: [Caminho Pelas Estrelas] Poema: VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera, Autor: O Imortal Fernando Pessoa / por Odenir Ferro




VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera
Autor: O IMORTAL FERNANDO PESSOA

Num meio-dia de fim de primavera 
Tive um sonho como uma fotografia. 
Vi Jesus Cristo descer à terra. 
Veio pela encosta de um monte 
Tornado outra vez menino, 
A correr e a rolar-se pela erva 
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe. 
Tinha fugido do céu. 
Era nosso demais para fingir 
De segunda pessoa da Trindade. 
No céu era tudo falso, tudo em desacordo 
Com flores e árvores e pedras. 
No céu tinha que estar sempre sério 
E de vez em quando de se tornar outra vez homem 
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer 
Com uma coroa toda à roda de espinhos 
E os pés espetados por um prego com cabeça, 
E até com um trapo à roda da cintura 
Como os pretos nas ilustrações. 
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe 
Como as outras crianças. 
O seu pai era duas pessoas 
Um velho chamado José, que era carpinteiro, 
E que não era pai dele; 
E o outro pai era uma pomba estúpida, 
A única pomba feia do mundo 
Porque não era do mundo nem era pomba. 
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. 
Não era mulher: era uma mala 
Em que ele tinha vindo do céu. 
E queriam que ele, que só nascera da mãe, 
E nunca tivera pai para amar com respeito, 
Pregasse a bondade e a justiça! 
Um dia que Deus estava a dormir 
E o Espírito Santo andava a voar, 
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. 
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. 
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz 
E deixou-o pregado na cruz que há no céu 
E serve de modelo às outras. 
Depois fugiu para o sol 
E desceu pelo primeiro raio que apanhou. 
Hoje vive na minha aldeia comigo. 
É uma criança bonita de riso e natural. 
Limpa o nariz ao braço direito, 
Chapinha nas poças de água, 
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. 
Atira pedras aos burros, 
Rouba a fruta dos pomares 
E foge a chorar e a gritar dos cães. 
E, porque sabe que elas não gostam 
E que toda a gente acha graça, 
Corre atrás das raparigas pelas estradas 
Que vão em ranchos pelas estradas com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias. 
A mim ensinou-me tudo. 
Ensinou-me a olhar para as cousas. 
Aponta-me todas as cousas que há nas flores. 
Mostra-me como as pedras são engraçadas 
Quando a gente as tem na mão 
E olha devagar para elas. 
Diz-me muito mal de Deus. 
Diz que ele é um velho estúpido e doente, 
Sempre a escarrar no chão 
E a dizer indecências. 
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. 
E o Espírito Santo coça-se com o bico 
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. 
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. 
Diz-me que Deus não percebe nada 
Das coisas que criou — "Se é que ele as criou, do que duvido" — 
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória, 
Mas os seres não cantam nada. 
Se cantassem seriam cantores. 
Os seres existem e mais nada, 
E por isso se chamam seres." 
E depois, cansados de dizer mal de Deus, 
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
............................................................................. 
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. 
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. 
Ele é o humano que é natural, 
Ele é o divino que sorri e que brinca. 
E por isso é que eu sei com toda a certeza 
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. 
E a criança tão humana que é divina 
É esta minha quotidiana vida de poeta, 
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre, 
E que o meu mínimo olhar 
Me enche de sensação, 
E o mais pequeno som, seja do que for, 
Parece falar comigo. 
A Criança Nova que habita onde vivo 
Dá-me uma mão a mim 
E a outra a tudo que existe 
E assim vamos os três pelo caminho que houver, 
Saltando e cantando e rindo 
E gozando o nosso segredo comum 
Que é o de saber por toda a parte 
Que não há mistério no mundo 
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre. 
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando. 
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons 
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. 
Damo-nos tão bem um com o outro 
Na companhia de tudo 
Que nunca pensamos um no outro, 
Mas vivemos juntos e dois 
Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda. 
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas 
No degrau da porta de casa, 
Graves como convém a um deus e a um poeta, 
E como se cada pedra 
Fosse todo um universo 
E fosse por isso um grande perigo para ela 
Deixá-la cair no chão. 
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens 
E ele sorri, porque tudo é incrível. 
Ri dos reis e dos que não são reis, 
E tem pena de ouvir falar das guerras, 
E dos comércios, e dos navios 
Que ficam fumo no ar dos altos-mares. 
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade 
Que uma flor tem ao florescer 
E que anda com a luz do sol 
A variar os montes e os vales, 
E a fazer doer nos olhos os muros caiados. 
Depois ele adormece e eu deito-o. 
Levo-o ao colo para dentro de casa 
E deito-o, despindo-o lentamente 
E como seguindo um ritual muito limpo 
E todo materno até ele estar nu. 
Ele dorme dentro da minha alma 
E às vezes acorda de noite 
E brinca com os meus sonhos. 
Vira uns de pernas para o ar, 
Põe uns em cima dos outros 
E bate as palmas sozinho 
Sorrindo para o meu sono.
...................................................................... 
Quando eu morrer, filhinho, 
Seja eu a criança, o mais pequeno. 
Pega-me tu ao colo 
E leva-me para dentro da tua casa. 
Despe o meu ser cansado e humano 
E deita-me na tua cama. 
E conta-me histórias, caso eu acorde, 
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar 
Até que nasça qualquer dia 
Que tu sabes qual é. 
..................................................................... 
Esta é a história do meu Menino Jesus. 
Por que razão que se perceba 
Não há de ser ela mais verdadeira 
Que tudo quanto os filósofos pensam 
E tudo quanto as religiões ensinam?



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Postado por Blogger no Caminho Pelas Estrelas em 4/24/2016 01:03:00 PM

Fw: VÂNIA MIGNONE . 33ª BIENAL DE SÃO PAULO - AFINIDADES AFETIVAS


----- Mensagem encaminhada -----
De: Casa Triângulo 
Para: "odenir.ferro@yahoo.com.br" <odenir.ferro@yahoo.com.br>
Enviado: ‎terça-feira‎, ‎4‎ de ‎setembro‎ de ‎2018‎ ‎14‎:‎42‎:‎26‎ ‎-03
Assunto: VÂNIA MIGNONE . 33ª BIENAL DE SÃO PAULO - AFINIDADES AFETIVAS

 


VÂNIA MIGNONE . 33ª BIENAL DE SÃO PAULO - AFINIDADES AFETIVAS

PAVILHÃO CICCILLO MATARAZZO, PARQUE IBIRAPUERA, SÃO PAULO, BRASIL
07.09.2018 - 09.12.2018



Vânia Mignone . Sem Título, 2018 . acrílica sobre papel . 48 x 37 cm


Casa Triângulo tem o prazer de anunciar a participação de Vânia Mignone nos projetos individuais da 33ª Bienal de São Paulo - Afinidades Afetivas, com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro.

A 33ª Bienal de São Paulo busca um modelo alternativo ao uso de temáticas, privilegiando o olhar dos artistas sobre seus próprios contextos criativos. A mostra reúne, no Pavilhão da Bienal, doze projetos individuais e sete mostras coletivas organizadas por artistas-curadores.

A música popular brasileira e o cotidiano são inspirações para os trabalhos de Vânia Mignone (Brasil, 1967).

"Meu trabalho de desenho e pintura tem uma enorme influência da música popular brasileira. Achava a música que eu ouvia tão linda que precisava fazer algo, dentro dos meus recursos, que fosse tão bom quanto. E isso envolve também algo que a música tem: diferente do desenho e da pintura, ela entra por todos os lados. Você sente.

Para mim, essa série de pinturas é como se fosse uma emoção baseada em certos contextos do dia a dia, em informações, coisas que li, aprendi, escutei, e que se juntam e me fazem produzir um grupo de trabalhos. São individuais, mas vêm todos dentro de uma mesma ideia. Então não é exatamente uma série. É o resultado de um período. Tem alguma coisa muito rápida, um ar de que existiria uma sequência entre eles. Existe uma ideia de história em quadrinhos, de filme, de que todos eles têm um começo, um meio e um fim. Não têm, mas há esse ambiente." [Vânia Mignone]

    

mais informações:
info@casatriangulo.com
 
Casa Triângulo, Rua Estados Unidos, 1324, São Paulo, Brazil