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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Enc: ARTEBA 2015 . BOOTH PH2



Em Terça-feira, 26 de Maio de 2015 16:30, Casa Triângulo  escreveu:


ARTEBA 2015 . BOOTH PH2
IVAN GRILO. PHOTOBOOTH
CURADORIA DE [CURATED BY] OCTAVIO ZAYA
LA RURAL, BUENOS AIRES
04.06.2015 - 07.06.2015


Ivan Grilo . Quando É Tempo, 2014/2015 . still do vídeo [5']
Ivan Grilo . When It`s Time, 2014/2015 . video still [5']
Casa Triângulo tem o prazer de anunciar a sua participação em arteBA 2015, apresentando projeto solo de Ivan Grilo, no setor PhotoBooth, com curadoria de Octavio Zaya.
A relevância de arquivos - históricos e orais - e as possibilidades de leituras diferentes sobre um mesmo acontecimento compõem o núcleo da pesquisa de trabalho de Ivan Grilo. Partindo principalmente da fotografia como documentação e registro do tempo, o artista disseca o papel narrativo, conceitual e estético de representação da foto, por vezes questionando ou até mesmo reescrevendo de um outro ângulo o material original, borrando de forma sutil a memória e a ação do tempo.
O uso de objetos, vídeos e outras mídias abordando os mesmos temas fortalece e amplia o alcance das mensagens, além de estruturar uma coerência interna na obra do artista. O processo de criação e execução de cada trabalho demanda atenção ao detalhe, conhecimento específico e investigação dentro de cada tema e material utilizado. A obra de Ivan Grilo invoca interpretações subjetivas e objetivas, através de uma linguagem desmembrada e renovada da técnica fotográfica e de apropriações.
O projeto Missões de Pesquisas Folclóricas, criado por Mario de Andrade nos anos 1930 para registrar manifestações da cultura popular brasileira, serviu nos últimos anos como base para Ivan Grilo desenvolver uma série de trabalhos que colocam o imaginário popular e temas socioeconômicos em foco. Para a arteBA 2015, o artista apresenta três trabalhos de diferentes mídias que criam um diálogo entre eles:
Quando é Tempo é composto por dois monitores de TV posicionados na parede acima da linha do olhar; eles mostram dois vídeos de uma bandeira branca erguida atrás de um telhado num dia nublado. Em cada vídeo, a bandeira aponta para uma direção diferente, como uma colisão de forças. Nos tempos antigos, alguns povos nômades da África costumavam içar uma bandeira branca em um pau forte para, dessa forma, decidir qual seria o próximo destino a seguir. No Brasil, a bandeira branca se tornou um sinal de que no local existe um terreiro, que aquele território é do povo de santo.
Voyage Utopique Au Brèsil coloca, de certa forma, a posição critica do artista numa genealogia de artistas que viajaram anteriormente ao Brasil, como Debret e Rugendas, fazendo referencias a trabalhos históricos dos tempos das missões. A obra é composta por uma placa de alumínio com os mesmos dizeres do titulo, uma imagem de um barco sem velas, um mastro sem bandeira, um estudo de uma vela de embarcação e um pedaço de lona de algodão, que poderia ser utilizado tanto para fazer a bandeira, quanto para a vela do barco.
Onde estão os homens? faz referência à canção África Brasil, na qual Jorge Ben repete os nomes de oito nações africanas que foram trazidas ao Brasil durante o tráfico negreiro. O trabalho é baseado em duas pranchas de desenhos de Rugendas que, originalmente, mostravam os rostos de representantes dessas mesmas nações. Em um processo de apagamento, semelhante ao que é feito com as questões raciais no Brasil, Grilo suprime todas as imagens e deixa apenas as legendas com os nomes dos povos.
[ENGLISH]
Casa Triângulo is pleased to announce its participation at arteBA 2015, presenting a solo project by Ivan Grilo, at PhotoBooth sector, curated by Octavio Zaya.
The relevance of historical and oral archives, along with the different possibilities of reading over the same fact, is the research core of Ivan Grilo's work. Taking as a starting point the photograph mostly as a way of documentation and record of time, the artist dissects the narrative, conceptual and the aesthetical representative roles of the photograph, sometimes questioning or even rewriting from another angle the original material, subtly blurring the memory and the action of time.
The use of objects, video and other media to discuss the same themes strengthens and widens the compass of the messages, besides structuring an internal coherence in the artist's oeuvre. The creation process, just as the making of each work, demands attention to detail, specific knowledge and investigation of every matter and material chosen. Grilo's work evokes both objective and subjective interpretations, through a language that appears dismembered and renewed from appropriation and traditional photograph technique.
With Mario de Andrade's 1930s research project on folkloric, black and popular culture in the Northeast of Brazil as a starting point, Ivan Grilo has been developing over the past two years a series of works that touch upon the popular imaginary and socio- historical themes. For this presentation, Grilo chose three works on various media that create a dialogue between each other:
Quando é Tempo [When is Time] is made of two TV monitors placed on the wall above the usual eye line; they show two videos of a white flag raised behind a rooftop on a cloudy sky. In each video, the flag points to a different direction, like a collision of forces. In the old times, some nomads from African nations used to raise a white flag on a pole in order to decide where would be their next destination. In Brazil, the white flag has become a sign that on that place there is a terreiro, a yard used for Afro-Brazilian religious practice, meaning that is the land of the sacred people.
Voyage Utopique Au Brèsil [Utopic Trip to Brazil] sets, in a way, the artist's critical position on a genealogy of artists that have previously travelled in Brazil, making reference to historical works from discovery times, such as Debret and Rugendas among others. The work is made of an aluminum plate with the same writing of the title, an image of a boat without sails, a flagpole with no flag, a piece of cotton canvas that could be used both to make a flag and/or the sail of a boat, and finally the study of a watercraft sail. There are still some questions left regarding those voyages, mainly in terms of the wind that blew the sails and flags, which might have pointed out to Brazil.
Onde estão os homens? [Where are the men?], makes reference to the song África Brasil, in which Jorge Ben repeats the names of the eight original African tribes that went to Brazil due to the slaves traffic. The work is based on two drawing boards by Rugendas that originally depict the faces of representatives of those tribes. On a process of erasure, similar to what is done with the black issues in Brazil, Grilo suppresses all the images and leaves only the textual references, the names of the nations.