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terça-feira, 26 de março de 2013

Enc: "DIA MUNDIAL DO TEATRO - 27 Março" Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro. Formatação e Arte Final de Iara Melo. Divulgação internacional e direta "Cá Estamos Nós" carlos leite ribeiro


----- Mensagem encaminhada -----
De: Beatriz Flor de Esperança 
Para: Beatriz Flor de Esperança 
Enviadas: Terça-feira, 26 de Março de 2013 20:35
Assunto: "DIA MUNDIAL DO TEATRO - 27 Março" Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro. Formatação e Arte Final de Iara Melo. Divulgação internacional e direta "Cá Estamos Nós" carlos leite ribeiro

Repassando
Portal CEN - "Cá Estamos Nós"
 
 
Dia Mundial do Teatro - 27 de Março
 
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
 
 
 
Arte Final: Iara Melo
 

 
 

         
Ninguém sabe ao certo como e quando surgiu o teatro. Provavelmente nasceu junto com a curiosidade do homem, que desde o tempo das cavernas já devia imaginar como seria ser um pássaro, ou outro bicho qualquer. De tanto observar, ele acabou conseguindo imitar esses bichos, para se aproximar deles sem ser visto numa caçada, por exemplo.
          Depois, o homem primitivo deve ter encenado toda essa caçada para seus companheiros das cavernas só para contar a eles como foi, já que não existia ainda linguagem como a gente conhece hoje. Isso tudo era teatro, mas ainda não era um espectáculo.
          Egipto Antigo, Índia, China, Creta e a própria Grécia possuíam um teatro, antes mesmo do então chamado teatro grego. Tinha como característica principal sua estruturação toda baseada na religião, podemos, portanto, apontar o teatro apenas litúrgico. Este mesmo aspecto é o que de fato diferencia os egípcios, hindu, chinês, cretense e o teatro apenas litúrgico grego do teatro grego.
          No século VI a.C., a mistificação na Grécia em relação aos seus deuses e crenças extrapolava o campo religioso e passava a fazer parte da rotina das pessoas. Essa religião politeísta dava um panorama ao homem grego de todas as ocorrências inexplicáveis do mundo sem a ajuda da ainda arcaica ciência ocidental. Os deuses eram os benfeitores ou malfeitores da Terra e possuíam um poder sobre o homem, sobre o céu e sobre a terra. Assim surgiram lendas que, divulgadas por mecanismo de oralidade primária, ou seja, oralmente, de pai para filho, procuravam instruir toda a civilização para que essa actuasse em detrimento da subjectividade daquela sociedade e do bem em comum, seguindo regras de comportamento e um padrão paradigmático que não podia jamais ser quebrado.
          Só para ter uma ideia da grandeza dessa credulidade, quando o Colosso de Rodes foi parcialmente destruído por um terremoto, em 248 a.C., o rei egípcio Ptolomeu se propôs a reconstruir a enorme estátua (que homenageava o Deus Apolo, o Deus do Sol), sofrendo porém a recusa da população de Rodes, que ao consultar um dos oráculos (que segundo os gregos, eram homens que representavam os deuses na Terra) foi desmotivada a permitir a reconstrução, pois, segundo o oráculo, o terremoto havia sido um recado do deus que não tinha gostado da homenagem. Assim, o Colosso de Rodes, até hoje reconhecido como uma das sete maravilhas do mundo, ficou aos pedaços, sendo completamente destruído pelos árabes, na invasão em 654 d.C.
          Como a vida dos deuses estavam directamente relacionada à vida dos homens na Grécia antiga, a ciência e a arte tenderam a seguir esse mesmo percurso, de forma que os deuses influenciavam até mesmo as guerras dos homens, como a Guerra de Tróia, que foi narrada pelos gregos com um misto de fábula e realidade, com um laço muito ténue entre a mitologia e o acontecimento real, de forma que os historiadores nunca souberam muito bem o que realmente aconteceu durante essa famosa guerra entre gregos e troianos. A arte por si própria não deixa de ser mítica, ou até mesmo mística, pois é elevada pelo homem como elemento fundamental para a relação humana, em seu sentido mais amplo, no tocante às emoções, ao sentimento humano, ao carácter, à personalidade, cultura e expressão do homem social. A ciência é a busca do bem comunitário, das inovações, da quebra incessante de barreiras que impedem o crescimento humano. A ciência e a arte tornam-se elementos biunívocos, ou seja, ligados entre si, pois o homem possui a vontade de exteriorizar todas as suas curiosidades, a fim de desenvolver métodos para criar, construir, transformar, unir, pesquisar, compreender e finalmente explicar.
          A cultura na Grécia antiga era restrita à louvação dos deuses, em festas e cultos religiosos, de forma que, as pessoas reuniam-se para aclamar aos deuses, agradecê-los ou fazer oferendas. As festas em respeito a Dioniso, o Deus da Alegria e do Vinho, realizava-se sob rígida fiscalização do legislador, que não permitia sacrilégios e manifestações cuja retórica fosse avessa à concepção religiosa da sociedade. Porém, para entreter a massa, Sórlon, o tirano legislador da época (Séc. VI a.C.) permitiu em certa ocasião que um homem, que possuía um talento especial para imitar os outros, fizesse uma apresentação para o público. Eis que esse homem, a quem chamavam de Tespis, subiu em uma carroça diante do público afoito por novidades, colocou uma máscara, vestiu uma túnica e, impondo-se dramaticamente, expressou: "eu sou Dioniso, o Deus da Alegria". A forma como o homem postou-se diante de todos, como um deus, causou revolta e medo em alguns, porém muitos viram essa postura como um louvor ao Deus do Vinho. Sórlon impediu a apresentação, mas o público queria mais, pois era fascinante e surpreendente a forma como aquele homem demonstrava seu talento. Durante um bom tempo foi proibido esse tipo de apresentação, julgada como um grande sacrilégio, de forma que a proibição perdurou até o começo da era mais brilhante da Grécia: a era democrática. Sem restrições e maior opressão ao livre arbítrio da sociedade (salvo mulheres e escravos), as pessoas tomaram gosto por essa arte tão criativa de se imitar, de forma que, com a democracia, os governantes começaram a incentivar aqueles que, por ventura se interessavam em entreter o público nas festas que homenageavam os deuses, realizando competições e distribuindo prémios diversos para aqueles que imitassem melhor pessoas e deuses.
          No começo, a arte dramática restringiu-se apenas às festas dionisíacas, passando a ocupar um espaço maior na cultura grega com o passar dos anos, tornando-se mais acessível e mais aceita pelos gregos, que começaram a elaborar no Séc. V a.C. melhores formas de entretenimento pelo viés da arte cênica. Assim, constituíram fábulas e histórias diversas a serem encenadas para o público. Essa forma inovadora de se passar mensagens através de histórias dramáticas ficou conhecida como Tragédia Grega, onde os actores utilizavam máscaras e túnicas para interpretar seus personagens. A tragédia se passava em uma ampla plataforma chamada proskénion, situada na costa sudeste de Acrópole, local sagrado de Dioniso, no théatron ("local onde se vê"), cuja plateia era reservada para os espectadores. As apresentações cénicas eram compostas por um coro que narrava e tecia comentários a respeito da história principal que era interpretada pelos actores principais. As Tragédias foram escritas por homens que marcaram seus nomes na história da humanidade. Os mais conhecidos são Eurípedes (485 – 406 a.C., autor de "Alceste" e "Ifigênia em Tauride"), Ésquilo (525 – 456 a.C., autor de "Os Persas"), Sófocles (496? – 406? a.C., autor de "Édipo Rei", "Antígona" e "Electra") e Aristófanes (autor de "As Nuvens", "Plutão" e "As Rãs"). Esses autores buscavam passar para o público a visão divina da natureza, expressavam a imagem dos deuses e as crenças do povo.
          O respeito pelo théatron começava a fazer um efeito que perdura até hoje: a arte cénica tornou-se uma forma de ritual, onde quem encenava no proskénion pretendia passar uma informação de grande necessidade para a sociedade, com um trabalho corporal, com voz e interpretação, submetendo-se à catarse, cuja explicação advém de Aristóteles (384 – 322 a.C.), o primeiro filósofos que proferiu teses sobre a arte dramática. Segundo Aristóteles, a catarse faz com que as emoções do intérprete sejam liberadas numa construção fictícia. Aristóteles constituiu a primeira estética da arte dramática, cujo nome era bem apropriado: "Poética". As Tragédias seguiam causando furor, em espectáculos longos, com poesias e grandes textos que pretendiam mostrar um enredo. Para maior receptividade do público, que demandava de tramas bem articuladas e enredos intrigantes, os gregos criaram dois elementos até hoje reconhecidos: o protagonista (o herói) e o antagonista (o vilão), de forma que as tragédias falavam a respeito da realidade e da mitologia, versando contextos de conhecimento de todos. Os temas eram atribuídos a grandes heróis, aos deuses, sob argumento fundamental de expor uma ética, uma lição de vida e a moralidade.
          
           Gil Vicente
          Apesar de sua profunda religiosidade, o tipo mais comumente satirizado por Gil Vicente é o frade que se entrega a amores proibidos (chegando a enlouquecer de amor), à ganância na venda de indulgências, ao exagerado misticismo, ao mundanismo, à depravação dos costumes. Criticou desde o frade de aldeia até o clero dos bispos, cardeais e mesmo o papa. Criticou também aqueles que rezavam mecanicamente; os que, invocando Deus, solicitavam favores pessoais; e os que assistiam à missa por obrigação social. Para exemplificar, leia-se este diálogo entre um sapateiro e o Diabo:
          Sapateiro: Quantas missas eu ouvi, não me hão elas de prestar?
          Diabo: Ouvir missa, então roubar - é caminho para aqui. (Auto da barca do Inferno)
          Curioso é perceber que o Diabo nunca força ninguém ao pecado, ele apenas trabalha com as atitudes das próprias pessoas. Na peça Auto da feira, o Diabo, ao montar sua banca para oferecer os pecados, é interpelado por um serafim e assim argumenta:

E há de homens ruins,
mais mil vezes que não bons,    
como vós mui bem sentis
E estes hão-de-comprar
disto que trago a vender,
que são artes de enganar,
e cousas para esquecer
o que deviam lembrar.Toda a glória de viver
das gentes é ter dinheiro,
e quem muito quiser ter
cumpre-lhe de ser primeiro   
o mais ruim que puder.
(...)mas cada um veja o que faz,
porque eu não forço ninguém.
Se me vem comprar qualquer
clérigo, ou leigo, ou frade
falsas manhas de viver,
muito por sua vontade,
senhor, que lhe hei-de-fazer?
(...)

          A baixa nobreza representada pelo fidalgo decadente e pelo escudeiro é outra faixa social insistentemente criticada pelo autor. Por outro lado, o teatro vicentino satiriza o povo que abandona o campo em direcção à cidade ou mesmo aqueles que sempre viveram na cidade, mas que, em ambos os casos, se deixam corromper pela perspectiva do lucro fácil. Isso explica a defesa e o carinho que Gil Vicente tem para com um tipo: o Lavrador, talvez o verdadeiro povo, vítima da exploração de toda a estrutura social.
          Riquíssima é a galeria de tipos humanos que formam o teatro vicentino: o velho apaixonado que se deixa roubar; a alcoviteira; a velha beata; o sapateiro que rouba o povo; o escudeiro fanfarrão; o médico incompetente; o judeu ganancioso; o fidalgo decadente; a mulher adúltera; o padre corrupto. Gil Vicente não tem a preocupação de fixar tipos psicológicos, e sim a de fixar tipos sociais. Observe que a maior parte dos personagens do teatro vicentino não tem nome de baptismo, sendo designados pela profissão ou pelo tipo humano.
          Quanto à forma, à utilização de cenários e montagens, o teatro de Gil Vicente é extremamente simples. Tampouco obedece às três unidades do teatro clássico - acção, lugar e tempo. Seu texto apresenta uma estrutura poética, com o predomínio da redondilha maior, havendo mesmo várias cantigas no corpo de suas peças.
          Outro aspecto a salientar no teatro vicentino aparece como consequência natural de seu momento histórico: ao lado de algumas características tipicamente medievais (religiosidade, uso de alegorias, de redondilhas, não-obediência às três unidades do teatro clássico), percebem-se características humanistas, tais como a presença de figuras mitológicas, a condenação à perseguição aos judeus e cristãos-novos, a crítica social.
          
          Dicas sobre o Teatro
          
          Alguns termos usados:
          Encenador: - O que concebe, orienta e dirige a encenação, isto é, o complexo de actividades necessárias para que o espectáculo se realize.
          Cenário: - Conjunto de elementos decorativos que fecham o espaço cénico.
          Adereços de cena: - Objectos que decoram a cena aposta ao cenário.
          Telão: - Pano pintado que ocupa toda a largura da cena cobrindo o fundo do palco.
          Caracterização: - Pintura do rosto do actor, com ou sem o emprego de postiços.
          Distribuição: - A designação dos actores que devem interpretar as diferentes personagens da peça.
          Cena: - É utilizada com alguns significados diferentes. É o palco. Estar em cena é estar a representar ou a ensaiar. Cena pintada ou construída é o cenário. Uma é o momento da acção em que "estão em cena os mesmos actores.
          Ensaiar: - Levantar, repetir e apurar uma ou mais cenas com os actores.
          Bater um texto: - É repeti-lo muitas vezes para o decorar.
          Réplica: - Cada frase do texto que um personagem diz após outro ter dado a deixa.
          Deixa: - Palavra ou palavras do final de uma fala que indicam a ocasião da réplica do actor ou de qualquer movimento.
          Papel: - O texto da parte que compete dizer a cada actor e por extensão a personagem que lhe coube na distribuição.
          Ponto: - Aquele que escondido do público "assopra" aos actores em cena, para os lembrar, alguma palavra ou frase.
          Acto: - Parte de uma peça que corresponde a um ciclo de acção e é separada das outras por um curtíssimo intervalo.
          Adereços do actor: - Objectos que o actor utiliza em cena e trás consigo.
          Repertório: - Conjunto de peças de teatro montadas ou projectadas para um grupo de teatro.
          
          Alguns exercícios de respiração e voz:
          Respiração:
          Descontracção: - Saltitar a pés juntos, procurando descontrair todos os músculos (o diafragma deve bater para baixo e para cima). Dar três saltos mais altos, flexão à frente descontraída, com expiração vigorosa.
          Respiração em três tempos: - Expiração lenta e controlada pela boca.
          Compasso de espera:
          - Inspiração, à vontade, dos pulmões.
          - Expiração controlada, para domínio da emissão da voz.
          - Compasso de espera, para esvaziar totalmente os pulmões com consequente inspiração completa.
          (este exercício pode fazer-se de pé, sentado ou deitado. Quando feito deitado, será acrescido de movimentos diversos: levantar as pernas alternadamente, etc.)
          Nota: - Em todas estas posições se deve dar particular atenção à formação da "Cinta respiratória".
          - Expiração sonorizada individual, colocando as mãos nos rins (apertar) para verificar a "Cinta respiratória".
          - Expiração sonorizada, porque é mais fácil dominá-la do que sem emissão de voz.
          - Expiração sonorizada colectiva (domínio)
          - Bazão: - de pé, pés afastados (11h05) expiração lenta e controlada. Quando se sente que a respiração chegou ao fim, descontrair o tronco com ligeira flexão de pernas. Tempo de pausa e inspiração a obrigar o tronco a erguer-se enchendo completamente os pulmões.
          
          Domínio sobre a respiração:
          - Andar à roda, ao som convencionar, estacar e:
          1º - suspirar lentamente
          2º - expirar
          3º - inspirar rapidamente
          4º - expirar
          (estes exercícios (1, 2, 3 , 4) são feitos um de cada vez)
          
          Voz
          Grito Instintivo (SPA): Visualizando chicotear o parceiro, gritar "SPA" sentindo o movimento do diafragma.
          - Dividir a classe em duas, por cada uma a um extremo da sala, gritando em conjunto e alternadamente, "SPA", uns aos outros.
          - Descontrair os músculos da cara, fazendo massagens, caretas, mastigando ar, descontraindo a língua e os maxilares.
          - Oh, ah, oh, ah – estes sons obrigam a fechar e a abrir a boca energicamente (contrariar a "preguiça" dos músculos da cara).
          - Tapar uma narina, expirar e inspirar
          - Tapar a outra, expirar e inspirar.
          - Stacatto: - Gritar !A" instintivo
          - Expirar (entrecortado) A, A, A, A, A, (final) AAAAA
          (Neste exercício, deve sentir-se o movimento do diafragma)
          - Escalas:
          1º - SPA, SPA, SPÓÓÁ (atenção ao "S")
          2º - MÁ, MÉ, MI, MÓ, MU, LÁ, LÉ, LI, LÓ, LU
          MÁ, MÉ, MI, MÓ, MU, LÁ, LÉ, LI, LÓ, LU
          (Subida e descida escalares, podendo ainda alternar a nota inicial "Dominante")
         
           Curiosidades
          O teatro mais antigo de Lisboa, é  o Teatro Nacional de São Carlos, inaugurado em 1793, e mandado construir por um grupo de homens de negócios, de entre os quais se destacava Joaquim Pedro Quintella, pai do 1o Conde de Farrobo, grande benemérito e empresário teatral. O Teatro Nacional D. Maria II foi, por sua vez, inaugurado em 1846, tendo sido construído por iniciativa de Almeida Garrett.
         
          Em 1752, foi chamado à corte de Lisboa pelo rei D. José, Giovan Carlo Bibiena, que se encarregaria de construir a infeliz ópera do Tejo, inaugurada em 1755 e logo destruída pelo terramoto de 1 de Novembro desse mesmo ano.
         
          O Teatro D. Maria ll assinala Dia Mundial do Teatro com dois dias de espectáculos gratuitos
          16.03.2005 - 15h13 Lusa
          Cinco produções e uma "rave party" integram o evento (Des) Concertantes 2 que o Teatro Nacional D. Maria II vai realizar este fim-de-semana, com entrada gratuita, para assinalar o Dia Mundial do Teatro.
          "Como o Dia Mundial do Teatro é no domingo de Páscoa, decidimos antecipar uma semana a efeméride", revelou o director artístico do TNDM, António Lagarto.
          O responsável referiu que o projecto, ao qual assistiram em 2004 duas mil pessoas, teve êxito e nesse sentido decidiram que este ano haveria dois dias de teatro (Des) Concertante. Este evento foi organizado pela primeira vez em 2004 para assinalar o Dia Mundial do Teatro e juntou vários tipos de espectáculos nos espaços do D. Maria.
          Segundo António Lagarto, o evento tem por objectivo motivar o acesso ao teatro, conquistar novos públicos e desmistificar a imponência de um monumento nacional.
          "Queremos desmistificar a imponência do monumento em prol da sua funcionalidade como espaço privilegiado para o convívio e o diálogo", afirmou o responsável.
          A entrada para todos os espectáculos é livre e o levantamento de bilhetes é feito no próprio dia a partir da 09h30.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
 
 
Fundo Musical: Valsa Cigana - Marisa Cajado -
Cancioneiros do Infinito - Arranjo Sibelius
Foto Inserida na Arte Final de Iara Melo: Interior do Teatro Santa Isabel
* Recife * PE* Brasil - Estilo Neoclássico (1841 - 1850)
Resolução do Ecrã: 1280 * 768
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Enc: "PAIXÃO de CRISTO" Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro. Formatação e Arte Final de Iara Melo. Divulgação internacional e direta "Cá Estamos Nós" carlos leite ribeiro


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De: Beatriz Flor de Esperança 
Para: Beatriz Flor de Esperança 
Enviadas: Terça-feira, 26 de Março de 2013 19:23
Assunto: "PAIXÃO de CRISTO" Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro. Formatação e Arte Final de Iara Melo. Divulgação internacional e direta "Cá Estamos Nós" carlos leite ribeiro
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Paixão de Jesus Cristo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte Final: Iara Melo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
    
Quero, ó Cristo, meditar
No teu sofrimento;
Do teu trono vem guiar
O meu pensamento.
Possa eu ver, ó meu Jesus,
Quão atroz tormento
Exigiu na infame cruz
Nosso salvamento.

Sigmund von Birken, 1626-81

 
 
Os eventos do final da vida de Jesus são reais e históricos, tendo sido relatados pelos Evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João. Nos Evangelhos batizados com seus respectivos nomes, eles descrevem a vida de Jesus Cristo, desde seu humilde nascimento até seu sofrimento injusto e sua morte, coroada por sua gloriosa ressurreição.
Eles nos ensinam o verdadeiro significado da vida de Nosso Senhor - o sacrifício por todos os seres humanos de todos os tempos. Com sua morte, todos nós podemos ser perdoados e salvos. Sua ressurreição nos assegura a vitória sobre o pecado, a morte e o diabo.
Por que Jesus derramou Seu sangue na cruz?
"Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação [um sacrifício que paga a culpa] em virtude da vida" (Levítico 17.11).
"Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão [perdão dos pecados]" (Hebreus 9.22).
Por que a crucificação foi tão traumática?
"Certamente, ele [Jesus] tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões [pecados] e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Isaías 53.4-5).
De quem foram os pecados que pregaram Jesus na cruz?
"Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade [pecado] de nós todos" (Isaías 53.6).
A morte brutal de Cristo foi profetizada?
"Como pasmaram muitos à vista dele [Jesus] (pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)" (Isaías 52.14).
Obediência
Por que a crucificação de Cristo foi necessária?
"E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado [na cruz], para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" (João 3.14-15).
O que Jesus quis dizer ao clamar "Está consumado!"?
"Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo [templo], não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção" (Hebreus 9.11-12).
Jesus é o único caminho para Deus?
"Respondeu-lhe Jesus. Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14.6).
O que Deus pensou da crucificação do Seu Filho?
"Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos" (Isaías 53.10).
Perdão
Qual foi o resultado do derramamento do sangue de Jesus?
"No qual [em Jesus] temos a redenção [resgate da culpa do pecado], pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça" (Efésios 1.7).
Por que a crucificação de Cristo é importante?
"Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" (1 Pedro 3.18).
O sacrifício individual de Cristo é suficiente?
"E ele [Jesus] é a propiciação [satisfação da justiça de Deus] pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (1 João 2.2).
O sacrifício de Cristo deve ser repetido?
"Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hebreus 9.28).
Por que a cruz provoca divisões?
"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus" (1 Coríntios 1.18).

As Relíquias da Paixão de Cristo
     Como sabem os católicos, assim como todos aqueles interessados na vida e obra de nosso Avatar Jesus, existem um grande número de relíquias relacionadas à paixão de Cristo espalhadas pelo mundo. Número este que chega à casa do milhar.
     Qualquer um que tenha uma noção de Sua vida e da Sua Paixão, pode intuir que este número é tão absurdo quanto impossível.
     Na Basílica de Saint-Denis, em Argentenil - ao norte de Paris, conserva-se por exemplo, uma suposta "túnica sagrada". E outro tanto ocorre na catedral de Trévaux. Com o devido respeito aos que crêem em ambas as túnicas, é pouco provável que uma delas possa ser a que usou o Mestre Jesus. Na primeira, não obstante as dimensões serem aceitáveis (1.45m de comprimento por 1.15m de largura) e não exibir costuras, o cânhamo nada tem a ver com a natureza das vestimentas usadas habitualmente pelos hebreus à época - que basicamente se utilizavam de algodão, lã e linho. Quanto à segunda, ainda é mais difícil de identificar. Trata-se de uma série de fragmentos de um tecido muito fino e pardacento, envolto e protegido das traças em dois panos. Um destes é de seda adamascada, fabricado possivelmente no Oriente, entre os séculos VI e IX.
       Quanto aos cravos e à Cruz de Cristo, ocorre algo ainda mais berrante. Há uma tradição que conta que a Imperatriz Santa Helena desenterrou os cravos utilizados para prender O Cristo à Cruz no século IV. Segundo esta lenda, a Imperatriz teria mandado confeccionar um freio para o cavalo de seu filho com um dos cravos (que se encontra hoje em Carpentras).
      Com outro fez um círculo para o capacete de Constantino, e diz-se que este círculo faz parte hoje da coroa de ferro dos reis lombardos, em Monza.
   O terceiro cravo teria servido para acalmar uma tempestade no mar Adriático... O caso é que na atualidade, em diversas igrejas da Europa, se veneram supostos cravos da Paixão de Cristo, totalizando dez(!) destes. Surpreendente, se partirmos do suposto que eram quatro os cravos para prender os crucificados - um em cada pulso e um em cada pé. Outros se encontram em Veneza, Trévaux, Florença, Sena, Paris e em Arras.
    O mesmo ocorre com respeito à madeira da Cruz de Jesus. Existem pedaços da Cruz de praticamente todos os tamanhos. Todas, é claro, extraídas da verdadeira Cruz. Talvez o maior fragmento seja o que se encontra na Espanha - em São Toríbio de Liébana, na província de Santarém, ao norte. A tradição afirma que este lignum crucis foi levado de Jerusalém por São Toríbio, bispo de Astorga, na Espanha, e contemporâneo de São Leão I, o Grande. Sua autenticidade nunca foi comprovada...
     Se pararmos para pensar sobre esta tradição, veremos que tende ao absurdo imaginar que os soldados perdessem seu tempo enterrando os cravos e as cruzes utilizados em cada execução, como pretendem alguns exegetas em defesa da história da mencionada mãe do Imperador Constantino. De fato, é mais provável que as cruzes e os próprios cravos fossem re-utilizados em diversas execuções.
   Particularmente, acho que isso é "providencial". Tenho comigo o sentimento que o Filho do Homem não queria - nem gostaria - que objectos Seus fossem venerados ao longo dos tempos. Jesus veio à Terra como um Mensageiro - Mensageiro da Paz e do Amor - e sofreu por nós. Infelizmente não estávamos preparados para receber e assimilar estas mensagens à época (e a pergunta fica: e se tudo acontecesse agora, será que estaríamos prontos?...).
       Ao invés de ficarmos venerando objectos materiais que podem ou não ter pertencido a este Espírito Iluminado, devíamos única e exclusivamente nos preocupar em praticar seus ensinamentos.
Na Semana Santa celebram-se os mistérios da salvação operada por Jesus nos últimos anos da sua vida na terra, desde a entrada triunfal em Jerusalém, até à sua sacratíssima Paixão e gloriosa Ressurreição. A Semana Santa contém os factos centrais da vida de Jesus, aquilo que Ele definiu como a "Sua Hora".
A antiga liturgia de Milão classificava esta Semana Autêntica por ser a semana dos verdadeiros "trabalhos de Jesus". O anterior Missal romano chamava-lhe Semana Maior, não pelo número de dias, mas pelo conteúdo salvífico.
O conjunto das celebrações da Semana Santa forma o Mistério Pascal, revelador da plenitude do amor de Deus ao mundo. As cores liturgias são a roxa, a encarnada e a branca, cores do amor e dor como o duplo sentido da paixão.
A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.
São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.
A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.
Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.
A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria contempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.
O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um último, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.
A SEMANA SANTA EM BRAGA

Braga (Minho – Portugal) Santuário Bom Jesus do Monte e Catedral
As cerimónias da Semana Santa, em Braga, começam com a tradicional Benção dos Ramos e a Procissão do Senhor dos Passos. A cidade vive, sete dias de intensa actividade religiosa, com os tradicionais ritos e procissões, que culminam no Domingo de Páscoa, a atrair muitos milhares de fiéis e de turistas. Os visitantes são sobretudo atraídos pelas grandes procissões que registam a participação de centenas de figurantes vestidos a rigor para simbolizar o calvário de Cristo. Será o caso, por exemplo, da tradicional procissão de Nossa Senhora da «burrinha», que incorpora cerca de setecentos figurantes. Na quinta-feira à noite, decorre a procissão de «Ecce Homo» e, na Sexta-feira Santa, a solene Procissão do Enterro do Senhor, talvez a mais aguardada pelos turistas. Já no Domingo de Páscoa, o tradicional compasso percorre as aldeias, vilas e cidades minhotas.
Com tradições que remontam aos primórdios do século, a Semana Santa em Braga é o expoente máximo das solenidades pascais do país e do norte da Península Ibérica. Durante uma semana, a cidade de Braga acolhe milhares de peregrinos oriundos de todo o país e da vizinha Galiza, para participar numa das manifestações que constitui um dos mais notáveis cartazes do turismo religioso. 
Os archotes, as velas e os milhares de pessoas que se dispõem ao longo das ruas para ver passar as procissões, em especial as do Senhor Ecce-Homo e do Enterro do Senhor, configuram um quadro ímpar das festividades e transmitem uma tradição enraizada num ritual dominado pelo conjunto de procissões nocturnas envoltas numa forte intensidade dramática.
A procissão de Endoenças, também conhecida por procissão do Senhor da Cana Verde ou mais popularmente conhecida como procissão do Senhor Ecce-Homo, tem lugar na noite de Quinta-Feira Santa. Com origens na visita que outrora se efectuava às sete igrejas, inspirada nas Sete Estações Romanas, que, como reza o Compromisso Cerimonial da Santa Casa da Misericórdia de Braga, reflectia «a penitência aos fiéis cristãos que reconheceram seus pecados, e por eles quiseram fazer alguma satisfação penal nos dias em que o mesmo Filho de Deus quis pagar por nós derramando Seu precioso sangue».
Quem chamou a si a realização desta procissão foram, por isso, as Santas Casas da Misericórdia, instituídas em Portugal pela rainha D. Leonor, em 1498. Ainda hoje, é a estas instituições que cabe a tarefa de promover e organizar esta solenidade e por isso considerada a Festa da Irmandade, à qual todos os irmãos eram então obrigados a assistir. O papel desempenhado outrora pelos irmãos foi hoje parcialmente substituído pelo figurado que integram o cortejo religioso.
Na cidade de Braga, a procissão da noite de Quinta-Feira Santa tem como figura central a imagem do Senhor Jesus Cristo coroado de espinhos, com as mãos atadas, segurando um ceptro, figurado numa cana verde.
Esta procissão, pelas suas características, é uma das solenidades da Semana Santa mais participada pelos bracarenses e por muitos milhares de fiéis de todo o país e da vizinha Galiza que nesta noite "invadem" a cidade de Braga para assistir. 
No dia seguinte, na Sexta-Feira Santa, é a vez de se realizar a procissão do Enterro do Senhor. Este cortejo religioso é o mais solene de todos os que na Semana Santa se organizam. Os mesários e irmãos da Misericórdia e Santa Cruz, encapuzados, as varas a rasto, os Reverendo Cónegos com os mantos e varas arrastados pelos lajedos, os figurados, também arrastando as cruzes, como os pendões, bandeiras das congregações, juízes com varas, provocam como que um gemido de consternação, tal é a impressão que o "surdo" arrastar das varas nos provoca. De longe a longe, este sussurro é quebrado pelo som entoado por uma personagem que segue o Esquife do Senhor: «Heu Heu Damine Heu Salvador noster! (Ai! Ai! Senhor Salvador Nosso!).
O rugir das matracas dos farricocos, o bater das varas dos irmãos da misericórdia que se ouvem na procissão da Quinta-Feira Santa, dão lugar a um silêncio avassalador na procissão do Enterro do Senhor. O cortejo religioso sai da Sé Catedral, a onde regressa depois de percorrer as principais artérias do centro da cidade.

(Excerto da Obra)
Da especificidade da música sacra portuguesa nos séculos XVI e XVII
José Maria Pedrosa Cardoso
Universidade de Coimbra

Música da Paixão. E vou aproveitar o mesmo documento de Mogi das Cruzes para introduzir uma nova temática, porventura o traço mais profundo na identidade de uma música sacra portuguesa no princípio da era moderna. Na realidade o achado de Jaelson Trindade, já estudado por Paulo Castagna, apresenta também um trecho de música da paixão, mais concretamente três espécimes com Turbas da Paixão segundo S. Mateus e segundo S. João. Este dado não tem nada de supreendente, uma vez que se trata de uma prática universal, mas o reconhecimento nesta espécie polifónica do Cantus firmus tradicional português constitui, definitivamente, um documento a comprovar a dependência natural da música litúrgica brasileira da sua congénere portuguesa. [Efectivamente, na parte do Tiple das Turbas de Mt, aparece no meio das frases polifónicas a reprodução de duas frases gregorianas – os chamados ditos da ancilla: Et tu cum Jesu Nazareno eras e Et hic erat cum Jesu Nazareno - com a música rigorsamente igual à do modelo tradicional português. O mesmo vai acontecer na parte do Tiple das Turbas de Jo, com transcrição da frase novamente da ancilla Nunquid et tu ex discipulis es hominis istius? Independentemente do valor da composição em causa, da sua autoria, sabendo-se que se trata muito provavelmente de uma cópia setecentista de uma composição anterior, o importante é constatar que no Brasil colonial o modelo de cantochão utilizado para o canto da Paixão era o tradicional português.
Igualmente importante é a constatação de que, numa destas espécies de Turbas, se encontram algumas frases de Cristo musicadas a várias vozes (sendo o Ms incompleto, não foi possível, em primeira análise, deduzir a quantas vozes eram essas frases musicais). De qualquer forma, estamos diante de documentos que testemunham uma dependência natural da prática cultual brasileira dos modelos importados directamente de Portugal, e não da Europa genericamente como é frequente afirmar-se.
Regressando, pois, a Portugal, sabe-se que a Semana Santa era o tempo privilegidado para todas as devoções. Entre o reportório próprio deste tempo, sobressai o canto do Ofício das Trevas, com os célebres responsórios e lamentações, os cânticos das procissões, com o impresionante Heu, heu Domine durante o enterro do Senhor, e o canto litúrgico da Paixão (entendendo-se, assim, o canto do texto canónico durante a celebração das missas de Domingo de Ramos, Terça e Quarta Feira Santas e na celebração litúrgica da Morte do Senhor, na Sexta Feira Santa). Não havia vilancicos, não se representavam dramas litúrgicos, que o drama da Paixão e Morte de Cristo era suficientemente galvanizador para reter os fiéis longas horas nas igrejas, embora de uma forma muitas vezes passiva: mais uma razão para o poder motivador de uma boa execução musical.
A este propósito, também vale a pena chamar a atenção para o impacto que a celebração da Paixão, sobretudo na Sexta Feira Santa, despertou nas primitivas comunidades cristãs brasílias. As cartas dos primeiros Jesuítas no Brasil são bom documento a este respeito. Apenas um exemplo:
«12. O oficio da Semana Santa se fez nesta nossa Casa com grande devação dos que a ele se acharão; forão cantados, os quaes o Padre Brás Lourenço fez muito bem, tomando pera isso os moços da escola, que ensayou alguns dias antes, e outras pessoas devotas, que se lhe offerecerão pera isso.... Pregou-se a Paixão com muita devação e sentimento e lágrimas dos ouvintes, e certifico-lhes que nunqua vi tantas lágrimas em Paixão como vi nesta, porque des ho principio até ao cabo foi huma continua grita, e não avia quem pudesse ouvir o que o Padre dizia; e isto assim em homens como em molheres, e sairão algumas cinquo ou seis pessoas quasi mortas, as quaes por muito espaço não tornarão em sy e outras com medo do mesmo não aousarão de esperar toda a preguação, por mais que o Padre abreviava com ver estas cousas. ... A sexta-feria seguinte se fez o officio do desenterramento do Senhor com o mesmo sentimento, e devação, levando dous Padres vestidos com suas alvas e descalços ao Santissimo Sacramento em huma tumba toda cuberta de preto que pera isso era feita, indo diante as Tres Marias, cantando Heu, Heu, Salvator noster» (Porto Seguro 15 de Fevereiro de 1566, Carta do P. Antonio Gonçalves aos Padres e Irmãos de Portugal, in Serafim Leite, Monumenta Brasiliae. Roma: Monumenta Historica Societatis Jesu, 1956-1960, 4 vols, IV vol. (1563-1568), pp. 315-318).
A explicação histórica para tal entusiasmo na vivência do drama da Paixão, na Semana Santa, só pode estar numa espiritualidade da Cruz profundamente enraizada na sociedade portuguesa, o que pode derivar da presença qualificada das Ordens mendicantes, da propagação em Portugal da devotio moderna e da mentalidade dos Místicos do Norte, da divulgação da Via-sacra, etc. Consequência e estímulo para esta mesma espiritualidade é a proliferação por todas as igrejas e capelas portuguesas de grandes obras de arte - concretamente em quadros, pietás e calvários - e ainda a abundância de edições da Imitação de Cristo e de publicações sobre a vida de Cristo e concretamente sobre a Paixão do Senhor.
 
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
 
 
 
 
 
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