Caminho pelas Estrelas Follow by Email

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Enc: Fwd: FELIZ NATAL!!!!!


----- Mensagem encaminhada -----
De: palermoler 
Para: odenir.ferro@yahoo.com.br;
Enviadas: Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012 13:07
Assunto: Fwd: FELIZ NATAL!!!!!
 
Mensagem originalDe: Anatolio
Para:
Assunto: Fwd: FELIZ NATAL!!!!!Enviada: 19/12/2012 10:20


 
 
Clique em mim!
 
 
 
 
 
 


   
Feliz Natal!!!
 
 
Clique no link abaixo:
 
 
Aguarde carregar e depois clique no anjinho... É lindo, vale a pena!
 
 


















 
 

 



 
 
 

 
 
 
     
 
 
 



 
 
 

 
 
 
 
   
 

Enc: [Mensagens_LunaeAmigos] AMAR - poesia de Delasnieve Daspet - ABRA O EMAIL PARA MELHOR VISUALIZAR


----- Mensagem encaminhada -----
De: Daspet
Para: Grupo Luna & Amigos Luna e Amigos; MENSAGENS LUNA & AMIGOS Mensagens Luna e Amigos
Enviadas: Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012 20:27
Assunto: [Mensagens_LunaeAmigos] AMAR - poesia de Delasnieve Daspet - ABRA O EMAIL PARA MELHOR VISUALIZAR

 

ABRA O EMAIL PARA MELHOR VISUALIZAR
 
.
Boas Festas é o que a Familia  Daspet&Souza deseja  a todos os amigos!
.
 
 
Amar
 Delasnieve Daspet
 .
Sempre é possível amar,
Amar com comprometimento,
Com comunhão,
Completando a espera e a preparação.
 .
O amor que não se vê,
Que não se materializa,
O amor doado, é o que fortalece.
 .
O Natal se aproxima,
A paz retorna aos corações,
Brilhará a alegria em todos os semblantes.
 .
O amor que pode não ter chegado
Envolto em riquezas,
Chega com humildade e com a tarefa
De resgatar a humanidade
Para uma nova visão de salvação...
Feliz Natal!
DD_06.01.10 – Campo Grande MS.
 
 .
Madredeus, Silêncio
.
 
 
__._,_.___
     
      
 
Endereço Virtual:

Delasnieve Miranda Daspet de Souza
Embaixadora Universal da Paz  - Genebra - Suiça
Embaixadora para o Brasil de Poetas del Mundo
www.delasnievedaspet.com.br   - UNESCO  WORLD POETRY DIRECTORY 
www.pantanalms.tur.br      -  UNESCO  WORLD POETRY DIRECTORY 
www.lunaeamigos.com.br  -  UNESCO  WORLD POETRY DIRECTORY 
http://www.delasnievedaspet.com.br/embaixadora_universal_da_paz.htm
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=600
http://br.egroups.com/group/LunaeAmigos
http://br.groups.yahoo.com/group/Mensagens_LunaeAmigos/
http://br.groups.yahoo.com/group/PoetasdelMundo_Brasil/
http://delasnievedaspet.blog.uol.com.br/
http://forumdeculturams.delasnievedaspet.com.br/index.html
http://grupobrasilmostratuacara.blogspot.com/




           
Yahoo! Grupos  
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__,_._,___


Enc: Coletânea de "Contos de Natal" 2º BLOCO (e último) - de Carlos Leite Ribeiro. Formatação de Iara Melo. Divulgação internacional e direta "Cá Estamos Nós" carlos leite ribeiro


----- Mensagem encaminhada -----
De: Carlos Leite Ribeiro 
Para: 
Enviadas: Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012 15:25
Assunto: Coletânea de "Contos de Natal" 2º BLOCO (e último) - de Carlos Leite Ribeiro. Formatação de Iara Melo. Divulgação internacional e direta "Cá Estamos Nós" carlos leite ribeiro
*** AS HORAS DO DESTINO ***
 
 

Portal CEN - "Cá Estamos Nós"
 
 
Coletânea de "Contos de Natal" - de Carlos Leite Ribeiro
 
 
COLETÂNIA de "Contos de NATAL" – de Carlos Leite Ribeiro
 
Formatação de Iara Melo
 
Segundo e último BLOCO
 
 
 
COITADO  DO  ZÉ  ALVES... - de Carlos Leite Ribeiro

"O senhor quer vir trabalhar para Portugal mas, não pode. Não tem autorização".
A cena passa-se no aeroporto de Lisboa. Zé Alves tinha saído horas antes da Bahia com destino a Lisboa para trabalhar na construção civil. Tinha chegado no dia 23 de Dezembro e, na mala trazia muitas ilusões de poder trabalhar muito e, um dia regressar ao Brasil com uma quantia que lhe desse para endireitar a vida. Já há muito na pequena terra onde vivia ouvia dizer que em Portugal se ganhava bom dinheiro. Um dia meteu-se ao caminho para a cidade mais próxima para falar ao Sr. Francisco, um conhecido engajador que logo o levou a uma agência de viagem. Era possível arranjar-lhe uma viagem para Portugal e mais, até trabalho. Era preciso era dinheiro...

O nosso bom Zé Alves regressou a sua terra e conversou com a mulher. Esta não se mostrava nada interessada que o marido fosse para outro país trabalhar, embora, na sua região o trabalho não abundasse. Mas ele tinha de ganhar dinheiro para que seus ainda pequenos filhos pudessem um dia estudar. Com esta argumentação lá conseguiu convencer (quase) a esposa. Vendeu a casa e com o dinheiro pagou a quantia acordada com o tal Sr. Francisco,
Foi à agência encomendar seu passaporte e logo comprou um bilhete de avião. E eis o Zé Alves a atravessar o Oceano Atlântico em direção a Lisboa. Quantos projetos ele desenvolveu durante as horas de voo?

Já no aeroporto é que viu o logro em que tinha caído – em que vigarices o tinham metido. Quando da apresentação do passaporte o funcionário do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras lhe perguntou pela autorização para poder trabalhar em Portugal ou noutro país comunitário. Não tinha nem sabia que era preciso...
- Olhe lá – repetia o funcionário alfandegário – Quem é que lhe meteu na cabeça para você vir trabalhar para Portugal?
Muito trémulo o nosso amigo lá lhe foi respondendo conforme podia:
- Foi o Sr. Francisco lá da minha terra que me prometeu trabalho em Lisboa, e mais, que estava cá à minha espera o Sr. João dessa firma…
O funcionário ia perdendo a paciência:
- Ho amigo, mas quem é esse Sr. João, e qual é o nome da firma que supostamente você ia trabalhar?
Zé Alves encolheu os ombros, ao dizer:
- Não sei! O Sr. Francisco só me disse que tinha aqui à minha espera o Sr. João que me ia apresentar ao patrão. Não sei de mais nada. Eu só sei trabalhar na construção civil e não percebo nada dessas coisas...
Era triste ver um homem já a chorar, revoltado por ter sido enganado pelo tal Sr. Francisco. Tinha até vendido a casa para  pagar o "seu trabalho no estrangeiro", e, assim poder vir trabalhar para a Europa e ganhar dinheiro para a sua família. Quase que deu um salto quando o funcionário lhe disse:
- Vai ficar aqui retido no aeroporto até apanhar o primeiro avião e voltar à sua terra.
Embora protestasse, alegando que conhecia muitos amigos que viviam em Lisboa, mas não sabiam aonde, lá foi levado para o recinto de espera, onde já lá estavam vários estrangeiros à espera de serem repatriados para seus países.
No dia seguinte, às 21 horas, foi metido num avião que o fazia regressar ao Brasil.

Com que cara ia chegar a casa (que já não era a sua) e enfrentar a mulher, os dois filhos pequenitos, a família e os amigos?
Que cabeça a sua não se ter informado antes com as autoridades competentes...
Já era pobre e mais pobre ficou!
Isso acontece todos os dias enquanto no mundo existirem Srs. Franciscos...
Ao atravessar o Oceano Atlântico, lembrou-se daquela mensagem de Deus:

"GLÓRIA  A  DEUS  NAS  ALTURAS  E  PAZ  NA TERRA  AOS  HOMENS  DE  BOA  VONTADE"

E, humildemente, acrescentamos:
"E  TRABALHO  AOS  HOMENS  QUE  AQUI  NA  TERRA  TÊM  VONTADE  DE  TRABALHAR".

Nota: É um trabalho de ficção, embora baseado num facto real. Mas quando quer, Deus escreve direito por linhas tortas. Tanto assim que Zé Alves (não é seu nome verdadeiro), voltou a Portugal, com um contrato de trabalho e hoje, é encarregado de obras de uma grande empresa. Vive na região de Leiria com sua mulher e filhos.
 
 
A Prenda de Natal - de Carlos Leite Ribeiro

Não posso deixar de sorrir quando penso neste episódio, real, da minha vida.
Era ainda uma criança, o Natal aproximava-se e com ele a euforia desta quadra. Nessa época, os papás avisavam as crianças que deviam ser boazinhas, para que o Pai Natal de trouxe-se uma prendinha na Noite da Consoada.
Estávamos no final da 2ª Grande Guerra, e os meus pais, à semelhança de outros, também me começaram a avisar que eu devia de ser "mais bonzinho" do que até aí tinha sido, porque senão o Pai Natal me castigaria. Claro que eu prometia a pés juntos que ia me tornar um menino mais bonzinho, que não voltava a salpicar o meu irmão com água, alegadamente para ele crescer mais rápido, para poder brincar comigo.
A minha avó paterna ria a ouvir estas recomendações, e entredentes murmurava: "estão a atiçar o diabinho …".
Nessa altura já sabia que não era o Pai Natal que descia pela chaminés para pôr as
Prendas nos sapatinhos dos meninos. Para não contrariar os papás, fingia que acreditava 
 
Depois da Ceia de Natal, em que não faltou o bom e verdadeiro bacalhau (não o "escamudo" que hoje para aí vendem), fomos deitar com a convicção que o Pai Natal ia descer essa noite pela chaminé abaixo para nos deixar umas prendinhas nos nosso sapatos que, quase religiosamente, os fomos pôr na chaminé.
Fingia que estava a dormir quando os papás se levantaram e se dirigiram para a cozinha para distribuírem as prendas. A curiosidade de saber o que me tinha calhado, era enorme. Depois dos meus pais voltarem para a cama, deixem passar algum tempo até eles adormecerem. Levantei-me então e, cautelosamente, dirigi-me à chaminé da cozinha, onde já estavam depositadas a prendas.
A luz era de duas velas que ficavam toda a noite a arder. Era fraca mas dava para eu ver o que queria. Dos meus padrinhos, tinha o "Dicionário Complementar" de Augusto Moreno, e a "Tomada de Lisboa aos Mouros" de Leite Vasconcelos (livros que guardo ainda hoje e religiosamente; dos papás "Um Conto de Natal" de Charles Dickens (também guardado), e vários lápis, borrachas de apagar, aparos, tinteiros e uma bolsa nova para a escola. Imaginem, nem um docinho!
Para o meu "irmãozinho", como os padrinhos eram proprietários de uma conhecida confeitaria, ofereceram alguns pacotes de bolachas, drops (no Brasil balas), chocolates em tabletes, etc.
Fiquei furioso por nem sequer ter um docinho. "Isto não se faz ao Carlitos! – Pensei eu.
Durante alguns momentos, fiquei sei saber o que poderia fazer para remediar aquela "anomalia". Mas a inspiração veio rápida. Dividi as bolachas, os drops e os chocolates, e transferi metade para o meu sapatinho. E transferi para o sapatinho de meu irmão, os lápis, as borrachas, os aparos e até uma régua e um esquadro de madeira.
Com o "serviço" concluído, regressei à cama onde adormeci profundamente.
Logo pela manhã, minha mãe trazendo meu irmão ao colo, acordou-me para irmos ver se o Pai Natal nos tinha trazido alguma prenda …
Quando chegámos junto da chaminé, bem … Minha mãe exclamou um enorme "hanhan". Entretanto, meu Pai também tinha chegado à cozinha e ao ver aquele "trabalho" ficou de boca aberta – e o caso não era para menos!
- Quem se atreveu a fazer estas mudanças? – Perguntou ele virando-se para mim.
Com a cara de "mais inocente" que na altura pude armar, balbuciei: - "Não sei o que se estão a referir, mas, se houve alguma "mudança", devia ter sido o Pai Natal, que foi o único que desceu pela chaminé abaixo …".
Embora bastante zangados, "escangalham-se" a ri, juntamente com minha avó, que entretanto tinha entrado na cozinha.
Eu estava bastante "encavado" (com medo).
- Carlitos, vai já para a cama – gritou-me minha mãe, que continuou – este ano, não tens nenhuma prenda!

E só recebi as minhas prendas uma semana depois – e também bolachas, drops e chocolates.

No ano seguinte, depois da Ceia, meu Pai levantou-se da mesa para nos dizer: "Este ano, o Pai Natal, entregou-me pessoalmente, as vossas prendas. Isto para evitar as "confusões" do ano passado …
E a partir desse ano, nunca mais houve sapatinhos na chaminé nem Pai Natal a descer pela chaminé abaixo …

A Todos Um Bom Natal

Refrão
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
E há uma grande alegria, no ar
 
Refrão
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos, felizes
 
Refrão
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós
 
Vão aos saltos pela casa
Descalças ou com chinelos
Procurar suas prendas, tão belas
 
Refrão
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Depois há danças de roda
As crianças dão as mãos
No Natal todos se sentem irmãos

Refrão
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.
 
Refrão
 A todos um Bom Natal
 A todos um Bom Natal
 Que seja um Bom Natal, para todos vós
 Que seja um Bom Natal, para todos vós

(Letra de Lúcia Carvalho)
 
 
O Sonho de Sofia - de Carlos Leite Ribeiro

- Mamã, não tenho sono e quero ir para a tua cama.
Antes de ter autorização para ir para a cama dos pais, a pequenina Sofia salto para o meio e deitou-se entre ambos.
- Porque não consegues dormir, Bebé? – Perguntou-lhe a mãe.
- Sabes, a Barbie, a boneca da mana, esteve a falar comigo e não me deixou dormir…
- Não acredito que a boneca tivesse falado contigo! E o que te disse ela?
- Disse-me a prendas que o Pai Natal me vai dar amanhã …
- Ah, sim? Não estou a acreditar e o papá está a rir-se.
- É verdade, papás! Disse-me que me ia dar uma saia comprida como a mamã e a mana tem, uma linda t-shirt, meias, botas altas e um boné de pala.
- Marido, estás a ouvir esta nossa filha? Não sei não …
- E ainda mais, papás, um telemóvel (celular) como o mano tem, uma mesa para eu escrever, um cocas (sapo) e um boneco muito grande como a mana tem e …
- Olha que talvez o Pai Natal não te possa dar tudo isso. Este ano, ele está com muita falta de dinheiro. Então um boneco grande está fora de causa, pois o vosso quarto é pequenino.
- O boneco da mana, como já é velho, pode ficar na garagem. E como o Pai Natal está pobrezinho, o papá podia dar-lhe uns dinheiritos … Também quando chegar o Pai Natal, quero ir falar com ele, para lhe dar um beijinho…
O pai, muito divertido, levantou-se da cama, dizendo-lhe:
- Olha Bebé, vai para a tua caminha que o papá amanhã vai escrever ao Pai Natal a fazer o teu pedido. O papá vai-te por na tua caminha.
A criança agarrou-se ao pescoço do pai que a foi pô-la na caminha. De regresso ao seu quarto, a esposa muito divertida, disse-lhe:
- Parece-me que esta nossa filhinha vai ser uma "contadora de histórias" como o avô …
 
 
O Velho e o Cão - Carlos Leite Ribeiro

Ninguém sabe ao certo que é o António da Trouxa. Uns dizem que é um professor aposentado outros dizem que era profissional da Finanças. Também não se sabe porque se quis aposentar antes da data limite para se tornar num hippie dos tempos modernos.
Certo dia, abandonou o seu círculo de amigos e familiares e partiu à aventura de tenda de campismo às costas sempre acompanhado pelo seu fiel cão de nome Janota. Era uma figura alta e elegante, bem-falante, com barba e cabelo quase brancos que lhe chegava até ao peito.
Vamos encontrar o António da Trouxa e o seu cão, numa noite da véspera do Natal, a caminho de sua barraca de campismo que estava armada debaixo de uma ponte.
- Pois é amigo cão Jonota, estamos novamente no Natal. Repara para a pressa que os automobilistas têm de chegar a casa para com a família, comemorarem esta Noite da Consoada.
O cão parecia que o entendia dando uns latidos baixinhos e dando à cauda. O António continuou a falar com seu cão:
- Mas amigo, nós também temos aqui uma bela posta de bacalhau que vou cozer com batatas e grelos bem regado com bom azeite. Além de uma garrafinha de vinho branco de Colares. Já sei que não gostas de vinho, por isso vais beber água engarrafada.
Já perto da tenda, ouviram um carro travar (frear) violentamente seguindo um som de um embate de chapas.
- Janota, alguém teve um acidente. Vamos lá ver o que se passou …
E os dois puseram-se a caminho para o lado em que ouviram o embate. Desceram uma ravina e começaram a ver no fundo um carro a deitar muito fumo. Apressaram o passo e em breves minutos chegam junto do carro acidentado que se encontrava de rodas para o ar. Pelas janelas, o António viu lá dentro um homem desmaiado. Com uma pedra, partiu o vidro, abrindo a porta de seguida. Como o carro estava a começar a arder, arrastou o homem que começava a dar sinais de acordar, para bem longe do carro. Já quando o homem estava em pé, o carro explodiu.
- Ó homem, você escapou de boa. Se me demoro mais um pouco, a esta hora estaria mais assado que uma sardinha. Agarre no seu telemóvel (celular) e ligue aos bombeiros para que mandem uma ambulância.
- Não, não é preciso meu bom homem, nada tenho partido e estes arranhões desinfeto-os em casa. Vou telefonar a minha mulher para me vir buscar e amanhã faço a participação à companhia de seguros. Entretanto, diga quem é você?
- Sou o António da Trouxa e este aqui é o meu cão e companheiro, Janota. Moramos já a algum tempo debaixo daquela ponte numa tenda de campismo.
- O meu nome é José Carvalho e sou um médio empresário. Além de ter pena de perder o carro, mais pena ainda tenho nas prendas que tinha comprado para minha esposa e filhos.
- Deixe lá as prendas e dê graças a Deus por estar vivo !
- Tem razão, meu amigo!
Entretanto, chegou a esposa do José Carvalho que logo se inteirou do acontecido. O casal fez questão em convidar o António da Trouxa e o Janota, para ceia da Consoada, que a muito custo acederam.
Já em casa e depois de apresentarem seus filhos o homem e o cão, a D. Celeste "sugeriu" a António da Trouxa e seu cão que, enquanto a ceia não estava na mesa, que fossem tomar um banho reconfortador, sobretudo para tirar o cheiro a queimado do carro ardido …
Durante a ceia, o António da Trouxa, deu evasão a seus dotes oratórios e contou belos contos de Natal. Todos ficaram encantados com ele e com o Janota que fazia umas piruetas que faziam todos rir. Já de madrugada, os anfitriões convidaram o António e o Janota para pernoitarem na casa. Aceitaram. Ainda o sol não tinha nascido, já o António estava a pé e preparado para partir para a sua tenda. O Janota é que desde do princípio se mostrou contra a decisão do dono. Este teve que pegar-lhe ao colo para o transportar para fora de casa.
Durante o percurso para chegar à tenda, o Janota ladrou mostrando assim o seu desacordo por se afastar daquela bela casa e do conforto. Mas o dono, impávido e sereno seguia o seu caminho. Em determinada altura, para chamar a atenção do dono, o cão sentou-se e não estava com vontade de seguir o dono.
_ Olha lá ó seu cão, toca andar para aqui para ao pé de mim. Se tivesses um pingo de vergonha, não estava prá aí a armar-te em esperto. Olha que eu bem vivo que durante a noite foste lamber os bolos e pior do que isso, fizeste porcaria debaixo da cama. Porcalhão! Não tens vergonha nenhuma nesse focinho e não aprendeste o que eu te ensinei.
O cão baixou a cabeça, meteu a rabo entre as pernas e com ar de envergonhado foi ter com o dono. Quando chegou ao pé dele, pôs-se em pé e com uma patinha começou a fazer festinhas ao dono, como a quer dizer-lhe:
- Dono, cá o Janota vai seguir os teus conselhos e tornar-se num cão social e limpinho. Mas tens de prometer que para o ano, voltaremos a casa dos nossos amigos …
 

A Bola do Natal - (episódio verídico) - de Carlos Leite Ribeiro 

Ao aproximar do Natal, comecei a pedir, por intercessão do Menino Jesus, ao "meu" Pai Natal, que me desse uma bola de futebol.
Ainda hoje estou surpreso por o "meu" Pai Natal ter acedido ao meu celestial pedido. Bom, na manhã do dia 25 daquele ano já tão longínquo, encontrei a tão pedida e desejada bola de futebol. Fiquei encantado e logo a minha imaginação começou a voar imaginando-me desde logo um craque do mundo futebolístico. Conseguia meter golos imagináveis, tanto com remates fulminantes como em cabeçada miraculosas. O Pelé e o Eusébio, ainda não conhecidos, de certeza que seriam ultrapassados pelo meu virtuosismo. O pior foi o "meu" Pai Natal me avisar logo que a bola ficava guardada para quando todos saíssemos para ver o Sporting, eu a levar para no Campo Grande dar uns "toques". Que deceção pois assim, não poderia mostrar aos meus amigos toda a minha habilidade natural no mundo futebolístico.
O tempo passou e um belo dia, estando de férias escolares, aproveitando não estar ninguém em casa, fui buscar a dita cuja ao armário do guarda-fatos (guarda-roupa), e fui para um jardim da casa de um amigo jogar futebol. Este meu amigo ficou a guarda-redes (goleiro), por acaso tio de uma grande guarda-redes português, o Damas. Mas voltando à minha excecional exibição futebolística, atirava a bola de encontro a uma parede e rematava para a baliza, que era formata por dois paus espetados no chão. O meu amigo Zeca, pedia-me a todo o momento:
- Carlinhos, não remates com muita força e sempre rasteiro.
Mas eu estava empolgado com a minha exibição. Mais uma vez atirei a bola para a parede, ela ressaltou e eu, sem deixar bater a bola no chão, com o meu "famoso" pé esquerdo, rematei fortíssimo. O guarda-redes nem a viu; foi um remate digno do Roberto Carlos nos seus tempos áureos.
Bom, foi um monumental golo – isso foi! O pior é que a "estúpida" da bola só parou de encontro a uma velha janela (daquela com muitos vidros) da casa de uma vizinha muito chata, estilhaçando-a toda …
A D. Albertina chegou ao que restava da janela e começo logo a barafustar e a ameaçar que ia contar tudo a meu pai. Que stress eu passei, para mais, a D. Albertina, pelos vistos, não admirava nada a minha habilidade (nata) futebolística.
Quando ganhei coragem para ir para casa, a D. Albertina estava a mandar vir (discutir) com minha avó paterna. Até tive pena da D. Albertina, uma senhora muito pequenina e minha avó muito alta e forte.
- A Senhora Albertina vá para sua casa, que a janela será concertada. Por favor, não me chateie mais que eu já estou a ficar muito enervada.
A minha avó, com a ajuda de minhas tias, lá conseguiram comprar uma janela nova.
E o Carlinhos, mais uma vez, safou-se de os papás saberem que ele não era, propriamente dito, um santinho…
(in – memórias de Carlos Leite Ribeiro)
 
Nota: esta bola teria um fim pouco "digno". Nas chamadas férias grandes escolares, a malta da Estefânia e a malta do Matadouro, faziam intermináveis encontros futebolísticos na parada do Liceu Camões, mesmo em frente onde morava o nosso querido amigo e engenheiro. Tito Olívio – mais tarde transferiu-se para Faro. Conseguíamos abrir a porta da Escola António Arroio e daí passávamos à parada do Liceu.
Num desses desafios, que virava aos 10 e terminava aos 20, eu ao cortar um perigosa jogada dos gajos do Matadouro, apliquei o meu "famoso" pé esquerdo e rematei fortíssimo para onde estava virado. Mais uma vez, a "estúpida" da bola saiu direita a uma grande janela do ginásio do Liceu. Para evitar confusões, todos abandonamos rapidamente o "estádio". E a bola lá ficou …
Mas a caixa onde "religiosamente" guardava a dita cuja, ficou anos dentro do armário, para dar a ilusão a meus pais que a bola continuava lá dentro.
 
Ao ler estes velhos apontamentos, não pude deixar de rir e pensar no Caminha. A Casa deste grande amigo, também tem as janelas deste tipo, ou seja, com muitos vidros. Ao ler estes apontamentos, tenho a certeza que o Caminha pensou:
- "Ainda bem que não tinha cá em casa nenhuma bola de futebol, pois senão, aquele "Mané", com a sua habilidade "natural" para o futebol, me teria partido os vidros das janelas !"
 
 

"VINTE ANOS DEPOIS..." de Carlos Leite Ribeiro
 
Vinte anos na vida de uma pessoa é muito tempo.
Recordou-se dos momentos difíceis que passou quando a morte de seus pais. Primeiro morreu-lhe a mãe e, um mês depois, foi a vez do pai deixar este mundo. A situação financeira tornou-se então insustentável. A vida assim era impossível.
Foi então que resolveu escrever a um velho tio, que há muitos anos vivia na Venezuela.
Contou-lhe tudo e, na resposta, o bondoso homem mandou-a ir ter com ele. O tio era dono de um moderno e bem frequentado restaurante dos arredores de Caracas.
A Rosa, a Rosita, como carinhosamente era tratada por todos, conseguiu que o casal Gomes, que tinha uma pequena mercearia, lhe emprestasse o dinheiro necessário para a viagem e, assim, num belo dia meteu-se a caminho e só parou em Caracas.
Conforme lhe ia sendo possível, ia mandando dinheiro para pagar a sua dívida, que em menos de dois anos, estava completamente saldada.
Já há muito tempo que não devia nada a ninguém, além da gratidão àqueles que a tinham ajudado, numa hora tão crítica.

Vinte anos, tanto tempo!
No avião, em viagem Caracas / Lisboa, não parava de pensar nesta frase.
Horas depois o avião aterrou em Lisboa. Depois das formalidades alfandegárias, apanhou um táxi para a Estação Ferroviária do Rossio, e apanhou um comboio para sua terra natal, onde contava passar o Fim-de - Ano e só regressar a Caracas depois do Carnaval.
O comboio já entrara na curva que antecede a gare de desembarque, e o ruído dos freios cada vez eram mais intensos. Por fim a carruagem imobilizou-se. Lentamente levantou-se, agarrou a sua bagagem, e já com alguma ansiedade, saiu daquele comboio que a tinha trazido da capital.

- Precisa de um táxi?...  Virou-se lentamente e encarou o homem que a interpelava, e, que novamente repetiu:
- Precisa de um táxi?
Rosa, como saísse de um sonho, respondeu-lhe:
- Sim, preciso de um táxi.
O motorista pegou então na bagagem e enquanto a arrumava, Rosa foi sentar-se dentro do táxi. Parecia um sonho estra na sua terra. Vinte anos depois, regressava.
- É para São Pedro que a senhora deseja ir? - Perguntou-lhe o taxista.
- Não, leve-me ao centro da cidade a uma pastelaria, pois ainda não tomei o pequeno-almoço.
Como a cidade tinha mudado, como estava diferente, como estava bonita!
Ainda absorta nos seus pensamentos, chegou quase sem dar por isso ao centro da urbe.
- Há pouco, disse-me que queria tomar o pequeno-almoço? - Lembrou-lhe o motorista.
- Pois disse. É aqui a pastelaria?
- É sim.
- Pode-me levar a bagagem para o hotel, que fica ali naquelas esquina? Já tenho aposento reservado.
- É um prazer, minha senhora. Desculpe a minha curiosidade, mas a senhora é natural daqui desta terra? Desculpe-me...
- Sou. Nasci nesta terra há 36 anos mas, já há vinte anos que não vivo cá.
- Desculpe-me. Vou já pôr a sua bagagem no hotel.
Rosa, antes de entrar na pastelaria, hesitou, mas por fim resolveu entrar.
Era um estabelecimento moderno, agradável, onde outrora existia um belo quintal de uma casa que, entretanto, fora demolida.
Pediu o pequeno-almoço enquanto acendia um cigarro.
Vinte anos... Quantas recordações lhe vinham à mente. Parecia um filme que lentamente se desenrolava na sua cabeça, em que ela, a Rosa, era ao mesmo tempo a argumentista, a realizadora e a intérprete.
Lembrou-se do simpático casal Gomes, que confiara nela e lhe proporcionaram a sua ida para a Venezuela.
O que teria sido feito deles?
Com a pressa de vir passar férias a Portugal. Até se tinha esquecido de lhes trazer uma prenda.
Mas que esquecimento o seu!
Entretanto, começou a ouvir a sirene dos Bombeiros, e, tal como outrora, os nervos começaram a encrespar-se.
Não tardou a começar a ouvir o barulho dos Soldados da Paz que fazem a apagar um fogo. E também ouviu um popular exclamar:
- A mercearia dos Gomes está a arder!
Ficou atónica com o que ouvira.
Levantou-se e correu até chegar à loja daqueles amigos que um dia a tinham ajudado. A loja, nessa altura já era um mar de chamas. Nada se podia aproveitar de seu recheio.
No passeio em frente, rodeados por muitos populares, estavam os velhotes que, com ar apavorado olhavam para o que tinha sido a sua loja, o seu ganha-pão.
Para eles, mais parecia um pesadelo do que a realidade.
- Com o negócio tão mau como tem estado, e ainda por cima nos acontece uma desgraça destas... Sem termos seguro, estamos desgraçados! -  lamentavam-se os velhotes.
Foi então que a Rosa se abeirou deles, que não a conheceram, e a moça aproveitou para lhes dizer:
- Senhor Gomes, acabo de chegar da Venezuela e, uma amiga minha incumbiu-me de vos entregar este cheque, já visado para a Caixa Geral de Depósitos.
O velhote, maquinalmente agarrou o cheque e apenas balbuciou:
- Da Venezuela? Será da Rosa, da Rosita? Há, mas eu não posso aceitar este dinheiro todo...
- Aceite - retorquiu-lhe a jovem - pois, senão a Rosita ficava muito zangada comigo, e isso eu não quero. E agora, desculpem-me, mas tenho que me ir embora. Apesar do que vos aconteceu, eu desejo-vos muita saúde e muitas felicidades. Até à próxima amigos!
E a Rosa afastou-se rapidamente, sem esperar que os velhotes lhes respondessem.

Naquele cheque tinha entregado ao casal Gomes o dinheiro que tinha posto de parte para passar férias em Portugal.  E o mais engraçado é que, por essa entrega,  tinha terminado as suas férias mesmo antes de as ter começado.

Já no avião a caminho novamente da Venezuela, sorriu e pensou alto:
- Meu Deus, como a vida é tão dura...
 
 
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Fundo Musical: Fado Tropical
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