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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Fw: TONY CAMARGO . NUM LOGO LUGAR . ABERTURA SÁBADO 09.02.2019



----- Mensagem encaminhada -----
De: Casa Triângulo 
Para: "odenir.ferro@yahoo.com.br" <odenir.ferro@yahoo.com.br>
Enviado: ‎quarta-feira‎, ‎6‎ de ‎fevereiro‎ de ‎2019‎ ‎12‎:‎27‎:‎35‎ ‎-02
Assunto: TONY CAMARGO . NUM LOGO LUGAR . ABERTURA SÁBADO 09.02.2019

 


TONY CAMARGO . NUM LOGO LUGAR

ABERTURA: SÁBADO 09.02.2019 DAS 14H ÀS 18H
DE 11 DE FEVEREIRO A 16 DE MARÇO DE 2019 . SEGUNDA A SÁBADO DAS 10H ÀS 19H


detalhe do still do vídeo VP29, da série Vídeomodulos, 2018 . vídeo digital . 27"


Casa Triângulo tem o prazer de apresentar Num Logo Lugar, a quinta exposição individual de Tony Camargo na galeria.

Perceber todos os espaços

O trabalho de Tony Camargo sempre envolveu a construção de aparelhos que de alguma maneira desvendam o funcionamento do mundo, apreendendo descobertas de real em espaços determinados, entre linhas e planos, e conferindo aos objetos uma imprevista vocação expressiva. A probabilidade invisível de bolas correrem numa sinuca, um alvo de dardos que se rebela em seus atributos se tornando maciço e impenetrável também no seu reflexo opaco, a transformação irônica de logotipos publicitários, depravando seu pudor imagético característico.

Ao desbravar o interior das coisas o artista modula uma paisagem onde se respira a mágica da transfiguração das coisas reais em pura visualidade. O encontro de Tony com a arte é um encontro de atmosferas intangíveis com o peso dos objetos. Poderíamos dizer que seu trabalho é o de um artista conceitual, enquanto cientista do conceito, que descobre a cada realização outras dependências da matéria. Interessa para Tony Camargo o efeito de todas as coisas diante de nossos olhos quando suas funções originariamente atribuídas estão suspensas.

Projetar o mundo

Como construir abrigos físicos para ideias? Como tornar matérias invisíveis em algo palpável, sem se restringir à representação, mantendo complexas dinâmicas espaciais e temporais? O trabalho de Tony Camargo nos mostra o quanto ainda somos primitivos, mesmo em nossos mais avançados processos tecnológicos. Os poucos elementos formais que temos à disposição são combinados infinitas vezes por projetistas, produzindo todas as coisas de nossa paisagem mundana.

Olhe ao redor: círculos ovais em maçanetas e sistemas de portas, quadrados, retângulos e seus derivados triangulares em edifícios, distâncias formadas por linhas nas ruas e sinalização viária do urbanismo além de tantas outras formas que estruturam nossa sociedade, seus gestos e comportamentos. No jogo da arte, observando apenas a sua utilização de círculos e esferas, ficam em evidência referências das mais nítidas, de Jan van Eyck (The Arnolfini Portrait, 1434) a Jeff Koons (Moon, 1995-2000), passando por Yayoi Kusama (Narcissus Garden, 1966-) dentre tantos outros.

Dançar com Diabos

As suas linhas, planos e formas ovaladas ou arcos podem lembrar tanto a mais clássica das arquiteturas quanto a mais recente ficção cinematográfica. Mesmo os seus vazios aparentes possuem massa, assim como a astrofísica tem revelado sobre o que se acreditava ser um grande vazio na verdade também possui massa, se configuram matéria e energia (escuras). Em sua memória primitiva o artista se fascina pela instabilidade da cor. Como se estivesse diante de labaredas que consomem o invisível. Ele sabe que o domínio dessa energia cósmica forja a nossa visualidade. Color field paintings: Mark Rothko e Barnett Newman. Campos emocionais da cor: Joseph Albers e Alfredo Volpi.

É como se depois de anos desvendando o funcionamento das imagens, Tony se propusesse a reproduzir uma energética a partir da apreensão da cor em campos delimitados, neste caso a pintura em sua esfera planar. Os azuis vibram em seus círculos e forçam bordas. Um cinza em coerção o faz girar sobre outro azul-chumbo. Em seu limite bordeja. É um azul-ventania. Mais adiante outros cinzas. Dessa vez separam-se. A presença incandescente do vermelho abrasa tudo ao redor. Como um cinza pode esquentar? Um cinza-asfalto.

Entre a lança e o abismo

O áspero do mundo violenta diariamente. Nada pode ser tão límpido quanto numa propaganda de margarina ou numa conta de Instagram. Há sempre algo nocivo, que vilaniza, polui e incomoda: o poderoso quebranto de realidade, que nos diferencia da insipidez imagética onde não existem cheiros ou sujeiras.

O artista assim nos convida para um abismo de projeções. Como em Tunga, a partir de uma plasticidade complexa que proporciona o seu livre jogo de associações, a articulação dos materiais também é uma articulação simbólica. O seu verde não é apenas o verde de uma composição, mas também o verde da bandeira do Brasil, criando uma textura emocional para o que vemos. O seu vermelho é intensidade, mas também fumaça, fogo, extintor.

O artista procura sempre um fenômeno pictórico da existência. Nele podemos encontrar tanto um vazio tátil, puras sensações visuais de realidade, quanto uma plenitude sideral, cenas límpidas suspensas pelo espaço. Entre uma coisa e outra, a atmosfera conquistada por cada um de seus trabalhos mantém um corpo que vibra sem cessar.

Arthur do Carmo
(fev.2016 - jan.2019)


    

mais informações:
info@casatriangulo.com
 
Casa Triângulo, Rua Estados Unidos 1324, São Paulo, Brazil