Caminho pelas Estrelas Follow by Email

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Fw: En favor da paz En faveur de la paix En favor de la paz В пользу мира In favor of peace



----- Mensagem encaminhada -----
De: Cercle Univ. Ambassadeurs de la Paix 
Enviado: ‎segunda-feira‎, ‎28‎ de ‎maio‎ de ‎2018‎ ‎04‎:‎58‎:‎28‎ ‎-03
Assunto: Fw: En favor da paz En faveur de la paix En favor de la paz В пользу мира In favor of peace

 
 
 
de notre ambassadeur Eugénio de Sá Portugal
  votre indulgence pour les traductions merci !
 
                      

                                                                                         En favor da paz

 

Temos de caminhar para uma necessária Equanimidade

 

Imaginemos uma ausência completa de conflitos no nosso ser; seria como uma harmonia repetida à exaustão, onde não há nunca notas dissonantes, ou seja; uma paz de espírito prolongada no tempo.

Mas aí, cabe a pergunta; será que essa (teoricamente) almejada serenidade, essa imperturbada tranquilidade, não se tornaria a breve trecho …demasiado monótona e até fastidiosa? – O questionamento impõe-se, porque afinal essa não seria mais que uma antecipada vivência da quietude eterna, e nem a paz reflexiva de um monge tibetano se lhe poderia comparar.

Como em tudo, nesta vida o segredo está no equilíbrio.

Segundo Buda; « 'O caminho' não está no céu. O 'caminho' está no coração de cada um. »

E eu acrescentarei: ao nosso equilíbrio interior corresponderá aquele que vamos conseguir levar aos outros. E que essa cadeia - assim sustentada - seja multiplicada e levada cada vez mais longe. Reflexões sobre a paz interior e a paz no mundo

Além da liberdade, a meta mais valiosa para o ser humano consiste no alcançar a paz. Mas não uma paz fundada em artifícios gerados a partir de estratégias de grupos ou de facções, sejam elas de cariz forem, mas uma verdadeira equanimidade interior, ganha a partir de grandes transformações na alma humana, sempre perpassada de inconstâncias e desejos, quase todos baseados numa injustificada avidez.

Na realidade, os objectivos maiores traçados pela humanidade não são passíveis de concretizar sem que o conceito de paz seja plenamente intuído e aceite, e as suas premissas e condicionantes praticadas, individual e colectivamente. 

O mundo é vasto e a diversidade das culturas instaladas na espécie é enorme, e seria excessivamente utópico pensar-se que essa autêntica 'babel' de pregões dogmáticos, que origina tantos focos de conflitualidade, possa ser fácil de ultrapassar. Daí, que se espere de quem governa os povos do planeta, aprenda a lidar primeiro com o seu próprio equilíbrio interior para que o possa transportar para a mesa das negociações, local onde devem ser resolvidos os conflitos, todos os conflitos. Deles se espera que nunca deixem que suas  teimosias, porventura irracionais, aproximem da morte e da devastação as populações que deles dependem.

Como escreveu Tam Huyen Van; "A paz não será alcançada através de posturas, receitas, regras, livros, imposições sociais ou políticas. Ela tampouco será atingida com leis, decretos, directrizes. Estas acções apenas se manifestam como fruto das necessidades comuns ou excentricidades de uma cultura mundial em permanente estado de superficialidades, convencionalismos ou jogos de poder."

O ser humano ainda não soube, ou não foi capaz, de ultrapassar a sua natural tendência para a violência como o fazia no seio da primeiras tribos, e não sabe dominar esse instinto a não ser pela via de outra força que se lhe sobreponha, ou pela ingestão, forçada, ou não, de substâncias de características soníferas ou hipnóticas. Só os mais seres espiritualmente mais evoluídos aceitam voluntariamente mudar essa tendência e tornar-se pessoas equilibradas e conscientes, e, por isso mesmo, passíveis de lutar para promover a paz. Porque esse objectivo maior surge como uma necessidade quando a mente, expurgada do que é iníquo e acessório, se liberta, e consegue perceber o erro da sua visão obsoleta e distorcida do mundo exterior.

                                                                                                          En faveur de la paix

Nous devons marcher vers une équanimité nécessaire

Imaginez une absence totale de conflit dans notre être; ce serait comme une harmonie répétée à l'épuisement, où il n'y a jamais de notes dissonantes, c'est-à-dire;
une tranquillité d'esprit prolongée dans le temps.
Mais là, c'est la question; Serait-ce (théoriquement) désiré de sérénité, cette tranquillité tranquille, ne deviendrait-elle pas bientôt trop monotone et même ennuyeuse?
"Le questionnement est imposé, car après tout cela ne serait qu'une expérience anticipée d'immobilité éternelle, et même la paix réfléchie d'un moine tibétain ne pourrait pas être comparée.

Comme en tout, dans cette vie, le secret est en équilibre.

Deuxième Bouddha; "'Le chemin' n'est pas au paradis. Le 'chemin' est dans le cœur de chacun.
»
Et j'ajouterai: notre équilibre intérieur correspondra à ce que nous pouvons apporter aux autres. Et que cette chaine - ainsi soutenue - soit multipliée et prise de plus en plus loin.
Réflexions sur la paix intérieure et la paix dans le monde
En plus de la liberté, l'objectif le plus précieux pour l'être humain est de parvenir à la paix. Mais pas une paix fondée sur des artifices générés par les stratégies des groupes ou factions, que ce soit de la nature  mais un véritable intérieur de l'équanimité, les gains de changements majeurs dans l'âme humaine, toujours imprégnée des incohérences et des désirs, presque tous basés
dans une cupidité injustifiée.
En réalité, les objectifs majeurs fixés par l'humanité ne peuvent être réalisés sans que le concept de paix soit pleinement institué et accepté et que ses conditions soient appliquées individuellement et collectivement.
Le monde est vaste et la diversité des cultures installées dans l'espèce est énorme, et il serait trop utopique de penser que cet authentique « Babel » des séances de négociations dogmatiques, ce qui provoque tant de conflits d'intérêt, peut être facile à surmonter. Par conséquent, si vous attendez de ceux qui dirigent les peuples de la planète, apprenez à traiter d'abord votre propre équilibre intérieur afin que vous puissiez le transporter à la table des négociations, où les conflits doivent être résolus, tous les conflits.
Ils sont censés ne jamais laisser leur entêtement obstiné et irrationnel apporter la mort et la dévastation aux personnes qui en dépendent.
Comme Tam Huyen Van l'a écrit; "La paix ne sera pas obtenue par des postures, des recettes, des règles, des livres, des impositions sociales ou politiques. Elle ne sera pas non plus frappée de lois, de décrets, de lignes directrices.
Ces actions ne se manifestent que par les besoins communs ou les excentricités d'une culture mondiale dans un état permanent de superficialités, de conventions ou de jeux de pouvoir.
L'être humain ne sait pas, ou n'a pas, à surmonter leur tendance naturelle à la violence comme il l'a fait dans les premières tribus, et ne savent pas maitriser cet instinct, à moins par une autre force qui chevauche, ou par l'ingestion forcée ou non de substances de caractéristiques sonores ou hypnotiques. Seuls les êtres les plus spirituellement évolués acceptent volontairement de changer cette tendance et de devenir des personnes équilibrées et conscientes, et pour cette raison, capables de lutter pour promouvoir la paix. Parce que cet effet est plus une nécessité lorsque l'esprit, purgé de ce qui est méchant et accessoire, est libéré et peut réaliser l'erreur de leur point de vue obsolète et déformée du monde extérieur.

 

                                                                                                         En favor de la paz

Debemos avanzar hacia una ecuanimidad necesaria.

Imagine una total ausencia de conflicto en nuestro ser; sería como una armonía repetida por el agotamiento, donde nunca hay notas disonantes, es decir;
una paz mental extendida con el tiempo.
Pero esa es la pregunta; ¿Sería (teóricamente) deseado de serenidad, esa tranquilidad tranquila, pronto ser demasiado monótona e incluso aburrida?
"El cuestionamiento se impone, porque después de todo esto sería solo una experiencia anticipada de inmovilidad eterna, e incluso la paz reflexiva de un monje tibetano no podría compararse.

Como en todo, en esta vida, el secreto está en equilibrio.

Segundo buda;
"'El camino' no está en el paraíso, el 'camino' está en el corazón de todos".
Y agregaré: nuestro equilibrio interno corresponderá a lo que podemos aportar a otros. Y que esta cadena, tan sostenida, se multiplique y se adentre más y más lejos.
Reflexiones sobre la paz interior y la paz en el mundo
Además de la libertad, el objetivo más valioso para el ser humano es lograr la paz. Pero no una paz basada en el artificio generada por los grupos o facciones estrategias, ya sea de la naturaleza, sino una verdadera ecuanimidad interna, cambios importantes en las ganancias en el alma humana, siempre imbuidas inconsistencias y deseos
, casi todos basados ​​en avaricia injustificada.
En realidad, los principales objetivos establecidos por la humanidad no pueden realizarse a menos que el concepto de paz se instituya y acepte plenamente y sus condiciones se apliquen de manera individual y colectiva.
El mundo es vasto y diversas culturas asentadas en este caso es enorme, y no sería realista pensar que este auténtico sesiones de "Babel" negociaciones dogmáticas, lo que provoca tantos conflictos de intereses, puede ser fácil superar. Por lo tanto, si espera que los que guían a las personas del planeta, aprendan a lidiar primero con su propio equilibrio interno para que pueda llevarlo a la mesa de negociaciones, donde los conflictos deben resolverse, todos los conflictos.
Se supone que nunca deben dejar que su terquedad obstinada e irracional traiga muerte y devastación a las personas que dependen de ella.
Como escribió Tam Huyen Van; "La paz no se logrará mediante posturas, recibos, reglas, libros, impuestos sociales o políticos, ni estará sujeto a leyes, decretos o directrices.
las necesidades o excentricidades comunes de una cultura mundial en un estado permanente de superficialidades, convenciones o juegos de poder.
El ser humano no sabe, o no, a superar su tendencia natural a la violencia como lo hizo en las primeras tribus, y no sabe a dominar este instinto, a menos que por otra fuerza que se superpone, o por la ingestión forzada o no intencional de sustancias de características sonoras o hipnóticas. Solo los seres más evolucionados espiritualmente aceptan voluntariamente cambiar esta tendencia y convertirse en personas equilibradas y conscientes, y por lo tanto capaces de luchar para promover la paz. Porque este efecto es más necesario cuando el espíritu, purgado de lo malvado y accesorio, se libera y puede realizar el error desde su visión obsoleta y distorsionada del mundo exterior.
 
                                                                                                       В пользу мира

Мы должны двигаться к необходимому уравновешенности

Представьте полное отсутствие конфликта в нашем бытии; это было бы похоже на гармонию, повторяющуюся при истощении, где никогда не бывает диссонирующих заметок, то есть;
спокойствие расширялось со временем.
Но это вопрос; Было бы (теоретически) желательным безмятежность, спокойное спокойствие, скоро станет слишком монотонным и даже скучным?
«Напрашивается вопрос, потому что после всего этого будет только ожидаемый опыт вечной неподвижности, и даже рефлексивный мир тибетского монаха не может сравниться.

Как и во всем, в этой жизни секрет находится в равновесии.

Второй Будда;
«Путь» не в раю, «путь» в сердце каждого ».
И я добавлю: наш внутренний баланс будет соответствовать тому, что мы можем принести другим. И эта цепочка - так устойчивая - умножалась и уходила все дальше и дальше.
Размышления о внутреннем мире и мире в мире
Помимо свободы, самой ценной целью для человека является достижение мира. Но не мир, основанный на искусстве, порожденном стратегиями групп или фракций, будь то природа, но истинный интерьер невозмутимости, завоевания основных изменений в человеческой душе, всегда проникнутые несоответствиями и желаниями
, почти все основаны на необоснованной жадности.
На самом деле основные цели, поставленные человечеством, не могут быть реализованы, если концепция мира не будет полностью установлена ​​и не принята, а ее условия применяются индивидуально и коллективно.
Мир обширен, и разнообразие культур в этом виде огромно, и было бы слишком утопичным думать, что этот подлинный «Вавилон» догматических переговоров, который вызывает столько конфликтов интересов, может быть легко преодолеть. Поэтому, если вы ожидаете тех, кто руководит народом планеты, научитесь сначала заниматься своим собственным внутренним балансом, чтобы вы могли переносить его на стол переговоров, где конфликты должны быть разрешены, все конфликты.
Они не должны позволять своим упрямым и иррациональным упрямствам приносить смерть и разрушения людям, которые от этого зависят.
Как писал Там Хуйен Ван; «Мир не будет достигнут через позы, квитанции, правила, книги, социальные или политические налоги и не будет подпадать под действие законов, указов или руководящих принципов.
общие потребности или эксцентриситеты мировой культуры в постоянном состоянии поверхностностей, конвенций или энергетических игр.
Человек не знает или не может преодолеть свою естественную склонность к насилию, как это было в первых племенах, и не знает, как справиться с этим инстинктом, если только другая сила, или принудительным или непреднамеренным поглощением веществ звуковых или гипнотических характеристик. Только самые духовно развитые существа добровольно соглашаются изменить эту тенденцию и стать уравновешенными и сознательными людьми и, следовательно, способны бороться за мир. Потому что этот эффект более необходим, когда дух, очищенный от злого и пристрастия, освобождается и может осознать ошибку из своего устаревшего и искаженного взгляда на внешний мир.
 
                                                                                                        In favor of peace

We must move towards a necessary equanimity

Imagine a total absence of conflict in our being; it would be like a harmony repeated at exhaustion, where there are never dissonant notes, that is to say;
a peace of mind extended over time.
But that is the question; Would it be (theoretically) desired of serenity, that tranquil tranquility, soon become too monotonous and even boring?
"Questioning is imposed, because after all this would be only an anticipated experience of eternal immobility, and even the reflective peace of a Tibetan monk could not be compared.

As in everything, in this life, the secret is in equilibrium.

Second Buddha;
"'The way' is not in paradise, the 'path' is in everyone's heart."
And I will add: our inner balance will correspond to what we can bring to others. And that this chain - so sustained - be multiplied and taken farther and farther away.
Reflections on Inner Peace and Peace in the World
In addition to freedom, the most valuable goal for the human being is to achieve peace. But not a peace based on the artifices generated by the strategies of groups or factions, be it of nature but a true interior of equanimity, the gains of major changes in the human soul, always imbued with inconsistencies and desires
, almost all based on unwarranted greed.
In reality, the major objectives set by humanity can not be realized unless the concept of peace is fully instituted and accepted and its conditions are applied individually and collectively.
The world is vast and the diversity of cultures in this species is enormous, and it would be too utopian to think that this genuine "Babel" of dogmatic negotiation sessions, which causes so many conflicts of interest, can be easily overcome. Therefore, if you expect those who lead the people of the planet, learn to first deal with your own inner balance so that you can carry it to the negotiating table, where conflicts must be resolved, all conflicts.
They are supposed never to let their obstinate and irrational stubbornness bring death and devastation to the people who depend on it.
As Tam Huyen Van wrote; "Peace will not be achieved through postures, receipts, rules, books, social or political taxes, nor will it be subject to laws, decrees or guidelines.
the common needs or eccentricities of a world culture in a permanent state of superficialities, conventions or power games.
The human being does not know, or has not, to overcome their natural tendency to violence as he did in the first tribes, and do not know how to master this instinct, unless by another force that overlaps, or by the forced or unintentional ingestion of substances of sound or hypnotic characteristics. Only the most spiritually evolved beings voluntarily accept to change this tendency and become balanced and conscious people, and therefore able to fight to promote peace. Because this effect is more a necessity when the spirit, purged of what is wicked and accessory, is liberated and can realize the error from their obsolete and distorted view of the outside world.

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 O Câncer, esse mal maior para o qual a cura

 vai sendo cada vez mais real

 

  Um Apontamento de Eugénio de Sá

 

 

  Receber o diagnóstico de uma doença como o câncer mexe com a vida de qualquer pessoa e as de todos os que   estão à sua volta. As reacções são as mais diversas porque cada indivíduo reage de uma forma diferente. Por norma, todas passam por diversas e sucessivas fases; negação, revolta, depressão, aceitação.

 

  Na grande maioria dos casos o factor medo está sempre presente: medo de morrer, da cirurgia, das químios, dos efeitos colaterais, de ficar careca, de deixar os filhos, o o cônjuge, etc. Daí, que o apoio emocional seja importantíssimo. A pessoa precisa de ser ajudada, mesmo que esse entendimento não lhe seja tácito. E então a pergunta põe-se: como ajudar uma pessoa que não pede para ser ajudada?

 

  Sabe-se quão importante é o testemunho de quem já passou por todas essas fazes e por todos os exames e tratamentos, e ultrapassou vitoriosamente a temível doença. Quando se trata de ajudar um paciente que inicia o seu tratamento é muito importante que ele chegue a um entendimento com quem se presta a ajudá-lo. Quando isso acontece, depressa se gera entre ambos uma empatia que leva à compreensão e à assimilação.

  Quem já viveu na pele um caso de câncer, e sobreviveu, pode sempre transmitir a sua experiência como pessoa curada, que desenvolveu em si um sentimento consolidado de esperança e de gratidão. Entre si e o novo paciente vai gerar-se uma grande cumplicidade, e essa é uma relação única e insubstituível, complementar ao apoio psicológico de um profissional.

 

  Sei do que falo, pois eu próprio, nos anos oitenta, passei por uma situação semelhante, ao ser-me diagnosticado um sarcoma nos tecidos moles num dos membros inferiores. Fui então sujeito a duas cirurgias sucessivas que impediram a tempo que as células se propagassem a outras zonas do corpo. Posso hoje dizer que sou um raro sobrevivente de um tipo de tumor que nessa época matava em média 96% dos que o contraíam.

 

  Em 2008 fui solicitado por uma instituição de S. José do Rio Preto (SP) - Brasil, que se ocupava de tratar o câncer, para preparar o conteúdo de um  folheto destinado a  ser distribuído aos seus doentes, com a finalidade de lhes aligeirar os efeitos psicológicos dos tratamentos a que eram submetidos.

Na oportunidade produzi duas versões dirigidas aos dois sexos. Chamei a esse texto: "Parábola de uma árvore a um ser humano". A versão que aqui apresento é a dirigida às mulheres.

 

 

 

 

 

 
 

  

  Parábola de uma árvore a um ser humano


   Ontem... caíram algumas folhas da minha copa

   e nem ouvi a chuva que pingava sobre a minha insónia.

   Nada que a razão cíclica não regenere, ou não fora eu também

   filha do Criador.

 


   Aqui, sob a minha ramagem, costuma vir uma mulher refrescar-se,

   matar as suas fomes de azul, mitigar as suas sedes de infinito,

   resolver as suas nostalgias e os ecos dos seus silêncios.

   Ouço-lhe em confissão os pensamentos e calo as suas mágoas,

   os seus desesperos, as suas secretas esperanças...

   Do tanto que a conheço e compreendo, já me basta fitá-la

   para lhe adivinhar os estados de alma.

   Nunca me importou saber como se chama, onde vive, se tem família, em que trabalha...

 

   Mas já não poderia passar sem ela, sem o seu calado convívio,

 

   ainda que ela me ignore os sentimentos.

   Afinal, nós, as árvores, somos como os seres humanos; vivemos de pé,

   e em nós também corre uma seiva que nos alimenta e mantém a existência.

   Também adoecemos, recuperamos e, finalmente, morremos.

 

   Nem sempre de causas naturais.


   Mas, dizia eu; a minha sensibilidade ao que se passa com esta minha amiga

   permite-me adivinhar-lhe uma doença, uma doença grave.

   Há dias, ouvi que balbuciava um desabafo: "mas porquê eu, meu Deus?"

   - Inquiria-se, angustiada.

   Julgo saber do que se trata e tenho muita pena de não poder dizer-lhe

   para a sossegar; mas estás viva, pulsa-te a vida, tens a natureza à tua volta

   a acarinhar-te, tens-me a mim para te ouvir, entender e apoiar.

   Olha a tua alma; ninguém tem um retiro melhor, mais aconchegante

   e aprazível que a sua própria alma.

   E o mais importante: Não permitas que uma doença te esvazie essa alma

   da poesia e dos sonhos que certamente ainda tens.

 

   Sim, porque a tua poesia está na capacidade de poderes continuar a sonhar a vida.

   Numa palavra: está na tua esperança, na fé que sentes nas mais pequenas coisas

 

   a presença de Deus.


   Sabes; o câncer, que tanto temes não passa de um simples distúrbio de células,

 

   um processo um tanto desordenado do seu crescimento.

 

   E afinal, quantos distúrbios tu já resolveste dentro de ti própria ?...

   - Confia na ciência, e deixa o resto com Deus.

 

   Ele saberá o que fazer com as tais células.


 

   Ah, como eu queria poder dizer-lhe tudo isto...

   Mas não passo de um árvore, aqui quieta e muda,

   sentindo, mas não podendo dizer o que sinto,

   amando o vento, o sol, a água e este ser humano,

   de quem só conheço o espaço que o seu corpo ocupa sob a minha sombra.

 

   E os seus pensamentos, quando se acerca do meu tronco

 

   e os desabafa, ainda que calado.


  

Amanhã, quando ela se chegar a mim,

   vou acariciá-la com um dos meus ramos,

   como uma amiga acaricia outra.

   Quem sabe se ela  entende e retoma a sua paz...

 
 
 
 
 

 
 
Edição:
Eugénio de Sá