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terça-feira, 1 de março de 2011

Poema: TABACARIA do Poeta Fernando Pessoa / posted by Odenir Ferro



















POEMA: TABACARIA




AUTORIA DO POETA FERNANDO PESSOA







Não sou nada.




Nunca serei nada.




Não posso querer ser nada.




À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.




Janelas do meu quarto,




Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é




(E se soubessem quem é, o que saberiam?),




Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,




Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,




Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,




Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,




Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,




Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.




Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.




Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,




E não tivesse mais irmandade com as coisas




Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua




A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada




De dentro da minha cabeça,




E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.




Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.




Estou hoje dividido entre a lealdade que devo




À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,




E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.




Falhei em tudo.




Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.




A aprendizagem que me deram,




Desci dela pela janela das traseiras da casa.




Fui até ao campo com grandes propósitos.




Mas lá encontrei só ervas e árvores,




E quando havia gente era igual à outra.




Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?




Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?




Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!




E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!




Gênio? Neste momento




Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,




E a história não marcará, quem sabe?, nem um,




Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.




Não, não creio em mim.




Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!




Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?




Não, nem em mim...




Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo




Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?




Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -




Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,




E quem sabe se realizáveis,




Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?




O mundo é para quem nasce para o conquistar




E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.




Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.




Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,




Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.




Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,




Ainda que não more nela;




Serei sempre o que não nasceu para isso;




Serei sempre só o que tinha qualidades;




Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,




E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,




E ouviu a voz de Deus num poço tapado.




Crer em mim? Não, nem em nada.




Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente




O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,




E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.




Escravos cardíacos das estrelas,




Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;




Mas acordamos e ele é opaco,




Levantamo-nos e ele é alheio,




Saímos de casa e ele é a terra inteira,




Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.




(Come chocolates, pequena;




Come chocolates!




Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.




Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.




Come, pequena suja, come!




Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!




Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,




Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)




Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei




A caligrafia rápida destes versos,




Pórtico partido para o Impossível.




Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,




Nobre ao menos no gesto largo com que atiro




A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,




E fico em casa sem camisa.




(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,




Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,




Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,




Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,




Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,




Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,




Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -




Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!




Meu coração é um balde despejado.




Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco




A mim mesmo e não encontro nada.




Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.




Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,




Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,




Vejo os cães que também existem,




E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,




E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)




Vivi, estudei, amei e até cri,




E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.




Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,




E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses




(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);




Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo




E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente




Fiz de mim o que não soube




E o que podia fazer de mim não o fiz.




O dominó que vesti era errado.




Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.




Quando quis tirar a máscara,




Estava pegada à cara.




Quando a tirei e me vi ao espelho,




Já tinha envelhecido.




Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.




Deitei fora a máscara e dormi no vestiário




Como um cão tolerado pela gerência




Por ser inofensivo




E vou escrever esta história para provar que sou sublime.




Essência musical dos meus versos inúteis,




Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,




E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,




Calcando aos pés a consciência de estar existindo,




Como um tapete em que um bêbado tropeça




Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.




Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.




Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada




E com o desconforto da alma mal-entendendo.




Ele morrerá e eu morrerei.




Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.




A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.




Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,




E a língua em que foram escritos os versos.




Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.




Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente




Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,




Sempre uma coisa defronte da outra,




Sempre uma coisa tão inútil como a outra,




Sempre o impossível tão estúpido como o real,




Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,




Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.




Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)




E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.




Semiergo-me enérgico, convencido, humano,




E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.




Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los




E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.




Sigo o fumo como uma rota própria,




E gozo, num momento sensitivo e competente,




A libertação de todas as especulações




E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.




Depois deito-me para trás na cadeira




E continuo fumando.




Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.




(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira




Talvez fosse feliz.)




Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.




O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).




Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.




(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)




Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.




Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo




Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.





X PRÊMIO CULTURA NACIONAL REAL ACADEMIA DE LETRAS.wmv

Fw: tisser la paix weave Peace tejer el a paz tecer o Paz



--- Em ter, 1/3/11, Cercle Univ. Ambassadeurs de la Paix escreveu:

De: Cercle Univ. Ambassadeurs de la Paix Assunto: Fw: tisser la paix weave Peace tejer el a paz tecer o Paz
Para:
Data: Terça-feira, 1 de Março de 2011, 0:18

 
  de notre ambassadeur PAUL FOURNIER FRANCE
                    votre indulgence pour les traduction merci !
                                                                                              

            

Voici en cette nouvelle année 2011, bien des mouvements humains, n'ayant que pour but, la liberté d'expression, la liberté d'être, l'égalité face aux disparités et la paix.

Que de batailles, que de douleurs, que de pleurs, pour enfin atteindre plus de sérénité, plus de tranquillité.

Ce monde souffre injustement, ce monde subit injustement.

Puis les déchaînements se conjuguent, la nature elle même fait des siennes, sans discernement de lieux , sans discernement de couleurs de peau.

peut-être à nous rappeler, ces liens interrompus entre nous et nous même, entre eux et eux même, et avec le tout ce qui est.

Avec les nôtres, nos familles, nos enfants, mais aussi avec notre environnement direct, la terre, notre maison à tous, nous devrions réfléchir tout cela.

La vie nous est offerte pour tisser, tisser la trame de notre propre vie, celle de nos enfants, celle de notre entourage, en tissant nous pensons le monde, 

Nous le créons où le recréons, pour tenter de le voir plus juste, plus équitable, pour persuader l'autre de mieux faire, avant qu'il ne soit trop tard,


Pour qu'il use lui aussi de plus de compréhension, de plus de compassion, de plus d'humilité, il le sait l'autre qu'il n'est pas sur la bonne route et qu'il tisse très mal.

Sa propre toile, heureux l'homme libre qui tisse avec justesse, courage, endurance et honnêteté, il comprends alors qu'il peut tisser La Paix.
            

Here in this New Year's Day 2011, many human movements, having that for goal, freedom expression, freedom to be, equality vis-a-vis the disparities and the peace.

That battles, that pains, that tears, for finally reaching more serenity, more peace.
This world suffers wrongfully, this world undergoes wrongfully.
Then the outbursts are combined, nature it even done his, without understanding of places, understanding of colors of skin.
perhaps to recall us, these bonds stopped between us and us even, them and them even, and with the all that est.
With ours, our families, our children, but also with our direct environment, the ground, our house with all, should reflect all to us this.
The life is offered to us to weave, to weave the screen of our own life, that of our children, that of our entourage, while weaving we think the world,
We create it where recreate it, to try to see it just, more equitable, to persuade other to better do, before that it is not too late,
 For that it also uses him of more than comprehension, of more than compassion,  humility, it knows it  other that it is not on the good road and that it weaves badly.
very Its own fabric, happy free man who weaves with accuracy, courage, endurance and honesty, it includes/understands that then; it can weave Peace.

 

Ahí tienes en este nuevo año 2011, muchos movimientos humanos,  teniendo que para objetivo, la libertad expresión, la libertad ser, igualdad ante las disparidades y el paz.
Que de batallas, que de dolores, que de llantos, por fin para alcanzar más serenidad, más paz.
Este mundo sufre injustamente, este mundo súbito injustamente.
 Luego los desencadenamientos se combinan, la naturaleza suyo incluso hace, sin discernimiento de lugares, sin discernimiento de colores de piel.
quizá a recordarnos, estos vínculos parados entre nosotros y nosotros incluso, el uno con el otro y ellos incluso, y con todo ello lo que este.
 Con los nuestros, nuestras familias, nuestros niños, y también con nuestro medio ambiente directo, la tierra, nuestra casa reflexionar a todos, deberíamos todo eso.
La vida se nos ofrece para que teja, que teja la trama de nuestra propia vida, la de nuestros niños, la de nuestro ambiente, al tejer pensamos el mundo ;
 Lo creamos dónde lo reconstruyen, para intentar verlo más exactamente, más equitativo, para convencer  otro de hacer mejor, antes del que no sea demasiado tarde,
 Para que lo usa lo también de más comprensión, de más compasión, el más humildad, lo sabe  otro que él no está sobre la buena carretera y que teje muy mal.
Su propia tela, felices  hombre libre que teje con exactitud, valor, resistencia y honradez, incluye entonces que puede tejer el a Paz.

 

Eis neste novo ano 2011, muitos movimentos humanos, tendo que para objectivo, a liberdade  expressão, a liberdade ser, igualdade perante as disparidades e o paz.
Que de batalhas, que de dores, que de lágrimas, para sérénité por último atingir mais, os mais tranquilidade.
Este mundo sofre injustamente, este mundo súbito injustamene.
Seguidamente déchaînements conjugam-se, a natureza sua mesmo faz, sem discernimento de lugares, sem discernimento de cores de pele.
 talvez recordar-nos, estas relações interrompidas entre nós e nós mesmo, entre si eles e mesmo, e com qualquer quem este.
 Com os nossos, as nossas famílias, as nossas crianças, mas também com o nosso ambiente directo, a terra, a nossa casa reflecti-lo à todos, deveríamos todo aquila.
A vida é-nos oferecida para tecer, tecer a trama da nossa própria vida, a das nossas crianças, a do nosso ambiente, tecendo pensamos o mundo ;
Criamo-lo onde recreiam-no, para tentar vê-lo mais exactamente, mais equitativo, para persuadir  outro melhor fazer, antes de que demasiado atrasado esteja, 
Para que gasta-o também de mais compreensão, mais compaixão, de mais  humildade, sabe-o  outro que ele não está sobre a boa estrada e que tece muito mal.
A sua própria tela, felizes  homem livre que tece com precisão, coragem, resistência e honnêteté, compreende então que pode tecer o Paz.
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